quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A FIGURA DO GESTOR COMPETENTE

A grande marca nas eleições para prefeito de Rio Branco em 2008 é a pasteurização da vida política. Não há políticos, há gestores. Não há candidatos, há administradores.

Como se disputassem vagas em algum concurso público os candidatos levam para a política o discurso e a lógica empresariais, e, mal dominando a sua posição francamente contrária a uma política de fato pública, manifestam abertamente todo o elitismo e a hierarquização dos quais dependem para se manter no poder.

Esse fenômeno mostra o poder das ideologias sobre a prática. Ao defender a figura do político-gerente, a imprensa e mesmo a classe política acabam traindo a lei da administração pública como algo próprio da vida... pública!

O pior é que a figura do político-especialista é um contra-senso, pois esses políticos e até mesmo os que os elegem sabem que os trâmites e processos da política não se dão por diplomas. É necessária uma rede muito bem urdida de trâmites sociais - portanto, coletivos, não privados - e ainda de delegação de responsabilidades para que a tal democracia representativa saia do papel (o que nem sempre acontece).

Essa invasão do público pelo privado tenta ocultar justamente esse aspecto coletivo da política, fazendo crer que questões sociais não podem ser resolvidas socialmente, mas por alguma alma iluminada, messiânica e - caso de Rio Branco nessas eleições - paternalista.

Herança ignóbil da época dos coronéis de barranco!

Um recado: gerentes competentes são necessários às empresas devido à lei de maximização de lucros inerente ao Capitalismo. Como uma empresa, qualquer que seja, é fundada na exploração do trabalho humano, segue-se que administradores de confiança são fundamentais para certificar-se da efetividade dessa exploração.

Qual o estrago dessa ideologia na política?

A falsa idéia de que "política não é para amadores" aumenta a distância entre eleitos e cidadãos. Com isso a democracia representativa fica mais próxima daquilo a que ela efetivamente se propõe: tornar-se cada vez mais representativa e menos democrática.

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