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Mostrando postagens de maio, 2013

Epistemologias do Sul

Maria Paula Meneses, na Revista Crítica de Ciências Sociais Uma epistemologia do Sul assenta em três orientações: aprender que existe o Sul; aprender a ir para o Sul; aprender a partir do Sul e com o Sul. 1 1 A procura especulativa do conhecimento é uma componente central da cultura humana. Mas o vasto campo das interrogações abrangidas pela reflexão filosófica excede em muito a racionalidade moderna, com as suas zonas de luz e sombra, as suas forças e fraquezas. Foi a partir desta constatação que, em 1995, Boaventura de Sousa Santos propôs o conceito de “epistemologia do Sul”, o qual veio a suscitar vários debates. 2  Este número da Revista Crítica de Ciências Sociais ambiciona alargar a discussão sobre a diversidade epistemológica do mundo, apresentando algumas das controvérsias que o tema tem gerado. 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 A constituição mútua do Norte e do Sul e a natureza hierárquica das relações Norte‑Sul permanecem cativas da...

POEMA FULEIRO

Era uma vez Numa terra não muito distante Uma ruma de cabos eleitorais Militantes de campanha De governos passados Que entraram na máquina pública Ilegalmente Sem saber de nada. Nunca se viu Nesse lugar Truculência e selvageria policial Professor incapaz de açinar o nome Agressão moral em postos de saúde. Nunca se viu Fulano pedir emprego Em troca do voto Fazer campanha de grátis E, contratado, reclamar do serviço Fazer greve Exigir aumento. Nunca se viu. Numa terra não muito distante.

Chega de subjetividade - entrevista a Beatriz Sarlo

Denise Mota, na revista Trópico Beatriz Sarlo: crítica ao excesso de importância dada a testemunhos para a compreensão da história “Quando a lenda vira fato, imprima-se a lenda.” A máxima, ironicamente cunhada por John Ford em “O homem que matou o facínora” (1962), vem sendo obedecida com toda diligência pela história, e é por isso que está no centro da mais nova discussão proposta pela pensadora argentina Beatriz Sarlo em seu recém-lançado “Tiempo pasado, cultura de la memoria y giro subjetivo - Una discusión”. Contemporânea e participante das transformações engendradas nos anos 60 e 70, Sarlo, quatro décadas depois, oferece um novo desafio: reconstruir o passado a partir de fatos, e não de lendas. Interromper o entendimento do testemunho como “ícone da Verdade”, como grafa à pág. 23 de seu livro. Escrever a história com eqüidade na valorização das fontes de informação. “Eu não confio mais na memória do que nas informações jornalísticas, nos programas políticos, n...

A poética da relação

Édouard Glissant, no Buala O texto é um artigo do autor sobre seu livro, Poétique de la Relation (Paris: Gallimard, 1996), sem tradução no Brasil (há uma edição em Portugal pela Sextante). Publico porque considero os conceitos avanços notáveis sobre as noções de "tolerância", "diversidade" e outras. Do exílio à errância, a medida comum é a raiz, que em ambos os casos falta. É por aí que há que começar 1 2 . Gilles Deleuze e Félix Guattari criticaram os conceitos de raiz e, porventura, de enraizamento. A raiz é única, é uma origem que de tudo se apodera e que mata o que está à volta; opõem‑lhe o rizoma, que é uma raiz desmultiplicada, que se estende em rede pela terra ou no ar, sem que nenhuma origem intervenha como predador irremediável. O conceito de rizoma mantém, assim, a noção de enraizamento, mas recusa a ideia de uma raiz totalitária. O pensamento do rizoma estaria na base daquilo a que chamo uma poética da Relação, segundo a qual toda a identi...