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Mostrando postagens de janeiro, 2011

ESTADO E DESENVOLVIMENTO

É comum em algumas rodas de amigos surgirem idéias sobre, como diz o Azenha , uma "crítica à esquerda do PT". Acho que podemos começar por aqui. Por Demétrio Cherobini(*), no Resistir.info Um grande e poderoso mito tem sido vendido à sociedade brasileira nos últimos anos, com conseqüências danosas especialmente para as classes trabalhadoras no que tange à sua capacidade de mobilização para o enfrentamento e a superação do inimigo que, hoje, desgraçadamente, ameaça faze-la sucumbir de maneira definitiva: o sistema do capital como controlador destrutivo e perdulário dos processos que regulam o metabolismo social humano, a relação dos seres humanos entre si e o intercâmbio destes com a natureza. Este mito tem uma aparência multifacetada e faz uso de um discurso deveras ardiloso: vende, em primeiro lugar, a idéia de que o Estado é o "indutor do desenvolvimento", sem maiores preocupações em fundamentar teoricamente sobre como se dá tal "indução" e que...

CONTRA A BARBÁRIE

Leitor Emílio Reis, nos comentários, mandou os torpedos a seguir: Josafá, vc colocou um enigma, mas não deu a resposta. Como vc acha que isso pd ser resolvido? As pessoas precisam de coisas seja no capitalismo seja no socialismo, e a população mundial vai aumentar tanto num qto no outro. Não sei mto bem, mas parece que houve tragédias ambientais também na antiga URSS. Como fica isso? Ou vc acha que todos devem apertar o cinto e consumir menos? Isso jã não pd ser feito já no capitalismo com o desenvolvimento sustentável? Desculpe se estou sendo chato, é que não entendi a mensagem muito bem. Abraços calorosos! Emílio, a solução para uma economia baseada no acúmulo, que necessita produzir mais para gerar lucro, é uma economia baseada na satisfação das pessoas . Ou no que elas precisam pra viver. Já que todas as pessoas precisam de coisas, como você diz, seria bem mais simples que todas se reunissem de alguma forma, combinassem entre si o que deveria ser produzido e então pas...

CAPITALISMO DE TRAGÉDIA

Corria o ano de 1987 quando a Comissão Mundial Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU publicou, após sete anos de longos estudos e difíceis reflexões, o relatório Our Common Future ("Nosso Futuro Comum") alertando sobre a iminente escassez dos recursos naturais causada pela exploração, o aumento de catástrofes naturais daí advindas (deslizamentos de encostas, enchentes, tsunamis e afins) e a tendência de ampliação da violência como resultado desses dois fenômenos. Antes dele, em 1968, o Clube de Roma contratou especialistas do prestigiado MIT para elaborar e publicar outro relatório, The Limits to Growth ("Os Limites do Crescimento"), que foi a público em 1972. A conclusão do MIT: "Utilizando modelos matemáticos, pode-se afirmar sem espaço para dúvidas que o Planeta Terra não suportará o crescimento populacional devido à pressão gerada sobre os recursos naturais e energéticos e ao aumento da poluição, mesmo tendo em conta o avanço tecnológico." ...

H.G. WELLS ENTREVISTA JOSEPH STALIN

Tradução livre do original em inglês , publicado em 23 de Julho de 1934. O autor de "Guerra dos Mundos", "A Máquina do Tempo", "A Ilha do Dr. Moreau" e outros clássicos da literatura moderna discute com o dirigente soviético sobre constitucionalismo e revolução socialista, economia planificada, ditadura do coletivo sobre o indivíduo, violência estatal, estratificação social e outras questões. Wells: Fico-lhe muito grato, senhor Stálin, por ter aceitado ver-me. Estive recentemente nos Estados Unidos. Mantive longa conversa com o Presidente Roosevelt e procurei saber quais eram suas idéias principais. Agora venho perguntar ao senhor o que está fazendo para mudar o mundo... Stálin: Na verdade, não muita coisa... Wells: Vagueio pelo mundo e como um homem comum, observo o que se passa em volta de mim. Stálin: Os homens públicos importantes, como o senhor, não são "homens comuns". Evidentemente, só a história pode determinar quã...

QUEM PERGUNTA...

Leitora Ana Claudia faz os seguintes questionamentos: ... "o PT é um partido de esquerda. Você acha que o que está ocorrendo no seu estado é um processo socialista ou não? Segunda pergunta: você não acha que colocar a culpa do fracasso do socialismo em inimigos externos é clichê demais? O mito do "inimigo externo" é um clássico das relações internacionais e é usado até hoje pelos EUA, por exemplo." Ana, "esquerda" é uma definição muito ampla. Ela cobre anarquistas, ecologistas, socialdemocratas (forçando bastante a barra), democratas cristãos e por aí vai. Ou seja: não é por ser de esquerda que um partido - ou mesmo alguém - é socialista. Mas vamos lá: minha opinião pessoal é que o PT é tão de esquerda quanto o Democratic Party norte-americano ou o Labour Party britânico. Não estou desmerecendo ambos, nem o PT. Um partido pode, e deve, assimilar o horizonte histórico da sua época quando a crise entre capital e trabalho permitir que se avance instituci...

A GAZETA EM CUBA

Antes de começar a escrever quero recomendar que o leitor clique nos links disponibilizados ao longo do texto, especialmente em caso de dúvidas. Eles funcionam como notas de rodapé e devem ajudar na compreensão de pontos obscuros ou polêmicos. Excelente a matéria de A Gazeta feita pelo jornalista Nelson Liano Jr. sobre a experiência socialista em Cuba. Digo "experiência socialista" porque pra mim é muito claro que o bloqueio norte-americano, condenado 19 vezes pela ONU sempre por esmagadora maioria da assembléia geral, prejudica a democratização do poder e a distribuição de renda naquele país . Aliás, esta é uma das poucas e marcantes omissões da matéria: o posicionamento internacional contra o bloqueio e a insistência da "Terra da Liberdade" em mantê-lo, com o argumento das "prisões políticas" supostamente realizadas pelo governo... ao passo em que os EUA mantém presos políticos em seu território e no próprio território cubano - em Guantánamo - e fina...

MARXISMO E DETERMINISMO ECONÔMICO

Da ComCiência A idéia de que uma base econômica determina todas as outras esferas da vida social é o que, de forma geral, define-se como determinismo econômico. Para muitos intelectuais tal noção está presente na teoria marxista, na medida em que se compreende que a base (o econômico ou a infra–estrutura) determina, limita e influencia a superestrurura (outras esferas como a cultura e a política). Mas o debate posterior a Karl Marx (1818–1883) é longo e vai muito além disso. Enquanto alguns intelectuais observam esse debate, outros procuram vislumbrar determinismo econômico como algo que caracteriza outras correntes de pensamento na atualidade. De acordo com o sociólogo Ricardo Musse, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Usp, Marx foi um opositor, ao longo de sua vida e obra, da prevalência das determinações espirituais, majoritárias na filosofia e na cultura de sua época. Em contraposição a essa situação, procurou chamar a atenção para a importância da produ...