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LIBERAIS E A FRAGILIDADE DO CAPITALISMO

Da Espaço Acadêmico Com a crise do mercado financeiro, surpreendentemente, economistas e jornalistas liberais passaram a defender a interferência do Estado na economia capitalista. Contraditoriamente ao seu discurso clássico, marcado pela apologia do livre mercado como único regulador da economia, os liberais defendem a ajuda financeira do Estado aos bancos e empresas em estado falimentar. Teriam os liberais revisto suas teorias, analisado seus equívocos e modificado suas posições? Trata-se de uma crise do capitalismo ou do liberalismo? Até bem pouco tempo, sequer a palavra “capitalismo” era mencionada no discurso político dominante no mundo. Parecia que estávamos vivendo em uma sociedade em que a desigualdade, a pobreza, a exclusão social e a destruição ambiental, quando consideradas, eram geralmente analisadas como sendo decorrentes da ação de indivíduos, sem que uma lógica estrutural conduzisse os seres humanos a agir de determinada forma. Inclusive, em tempos de crise, muitos intel...

PAPEL ACEITA TUDO

Uma graça a repercussão nos jornais da pesquisa Contas Regionais do IBGE nesse fim de semana. O crescimento de 6,9% do Produto Interno Bruto (PIB) acreano em 2008 foi c omemorado como um bem coletivo sem que ninguém, absolutamente ninguém perguntasse: "Cadê os resultados dessa abundância toda?" Onde estão as indústrias? Os empregos? A redução das desigualdades? A qualidade de vida? Para onde foi essa grana? Não contesto o ritmo de crescimento da economia acreana, algo que o Censo 2010, que vai direto à fonte, deve confirmar e ampliar. Vale lembrar que "Contas Regionais" é obtida pelo cruzamento de dados de várias instituições, entre elas a Receita Federal, e outras pesquisas do IBGE feitas por amostragem. O que duvido muito é que o crescimento do PIB no Acre, no Brasil ou onde quer que seja signifique melhoria da qualidade de vida, que parece ser o objetivo perseguido pelo governo e pelos jornais. Estes últimos pregam fervorosamente que a empregabilidade teria com...

A CHINA DO FUTURO

O artigo abaixo foi enviado por e-mail pela jornalista anarquista Angélica Paiva, uma das poucas profissionais de imprensa que ainda ousam fazer jornalismo crítico no Acre (nas condições provincianas locais, fazer jornalismo "com opinião", ou seja, com "lado", é quase uma blasfêmia. Além de perigoso, é uma estratégia usual para se obter vantagens ou cargos). Por Luciano Pires, via e-mail Alguns conhecidos voltaram da China impressionados. Um determinado produto que o Brasil fabrica um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões... A qualidade já é equivalente. E a velocidade de reação é impressionante. Os chineses colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas... Com preços que são uma fração dos praticados aqui. Uma das fábricas está de mudança para o interior, pois os salários da região onde está instalada estão altos demais: 100 dólares. Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo. Que acrescidos de impostos e ...

A FAVELIZAÇÃO DAS CIDADES

“Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem.” Manuel Bandeira Por Ari de Oliveira Zenha, na Carta Maior O capitalismo tem transformado sistematicamente as cidades em mega cidades e mais ainda, em hipercidades, com população superior a 20/30 milhões de habitantes. Os assentamentos urbanos têm evoluído urbanisticamente trazendo consigo grandes núcleos urbanos que vão, na medida em que crescem, transformando estes – núcleos urbanos – numa fusão e apropriação em seu entorno das regiões rurais. Já é comum andarmos quilômetros e quilômetros dentro deste complexo de imbricamento, não sabendo aonde termina a região urbana e começa a rural, é o que os urbanistas chamam de hibridação rural/urbana. Na cidade de São Paulo as favelas, em 1970, eram de 1,2% de sua população, passando em 1993 para 19,8%...

A ESTÉTICA DA EXCLUSÃO

Os ataques a quatro jovens na capital paulista , as declarações de fúria incontida do ex-coronel Hildebrando Pascoal à imprensa e as mais recentes tentativas relativistas de justificar o injustificável no caso Mayara Petruso têm como ponto comum a mais profunda incapacidade de lidar com a integralidade e a pluralidade humanas. Seria pragmático, ainda que tedioso, se essa questão pudesse ser esgotada como gostam os apresentadores de programas de jornalismo policial: em discursos etéreos sobre o quanto devemos nos respeitar, nos amar, nos compreender etc, especialmente quando se aproximam os festejos natalinos. Mais efetivo, no entanto, é refletir sobre o nascedouro real de tais concepções: o estabelecimento da exclusão como valor cultural, como norma moral propriamente dita. Que esquemas psíquicos de exclusão produzem comportamentos preconceituosos ou autoritários é uma constatação antiga das ciências da mente, especialmente da Psicanálise. A questão é o cerne disso. Na Id...

O EXEMPLO CHILENO

Em um micro-ônibus da Transantiago havia um aviso fixado por algum usuário que dizia: “Se pago a passagem, não como”. Essa é uma verdade do tamanho do sol em um pequeno país cujo PIB cresce a cerca de 6%, ao custo da mais dura desigualdade social, concentração econômica e exploração sem limite nem regulação alguma de seres humanos e natureza. Segundo dados oficiais, o Chile é hoje mais pobre que em 2006. Naquele ano, a pobreza alcançava 13,7% da população nacional, enquanto hoje esse índice é de 15,1%. E esses números, na verdade, são ainda maiores. O artigo é de Andrés Figueroa Cornejo. Continua na agência Carta Maior .