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Postagens

Entrevista com Bruno Latour

"Para que os fatos científicos sejam aceitos, é preciso um mundo de instituições respeitadas. Por exemplo, sobre as vacinas se diz: “Estas pessoas ficaram loucas, estão contra as vacinas.” Mas não é um problema cognitivo, de informação. Os que são contra não serão convencidos com um novo artigo na revista 'The Lancet'. Essas pessoas dizem: “É este mundo contra este outro mundo, e tudo o que se diz no mundo de vocês é falso.” Comentário meu: Não só em relação às vacinas, mas em tudo o que envolve a coletividade. O que ocorre de fato é que determinadas forças políticas pré-modernas estão utilizando a Falácia de Falsa Simetria para redesenhar o poder no mundo atual. E a democracia representativa tal como a conhecemos não tem defesas naturais contra esse germe irracionalista. Estamos assistindo o retorno da Idade Média, ago...
Postagens recentes

Comércio não é capitalismo

O texto a seguir foi publicado por uma professora de Filosofia no Facebook. Como a patrulha "libertária" resolveu atacá -lo, e como o que normalmente ocorre em eventos assim é o autor, irritado, apagar a postagem, tomei a liberdade de reproduzi-lo aqui. Até a próxima! . Link para a postagem original: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10205703086454358&id=1771051006 . . Vou falar aqui algo óbvio, mas cuja confusão que fazem na internet tá me incomodando há tempos. Comércio não é capitalismo. A simples produção, troca ou compra e venda de mercadorias não configura capitalismo. Produzir um bem ou fazer um serviço, vender esse bem ou serviço e adquirir dinheiro para comprar outros bens ou serviços não é capitalismo. Pessoas TEREM DINHEIRO OU PROPRIEDADE não é capitalismo. Tudo isso que eu falei acima existe há milênios. O capitalismo surgiu somente no...

A função política das tradições

Muito já se escreveu sobre a recente determinação do Ministério da Educação e Cultura (MEC) para a escolas gravarem os alunos cantando o hino nacional. O que isso tem de errado? Rituais, cerimônias e símbolos fazem parte do funcionamento de todas as sociedades desde tempos imemoriais. Música, pinturas corporais, símbolos da natureza: vale tudo para estabelecer entre os indivíduos a sensação de pertencimento coletivo que une, dá sentido, disciplina os instintos. As sociedades intuem que a submissão das vontades pessoais aos interesses da coletividade é o ponto de partida para o mínimo de convivência ordenada. Desde o fim do século XIX a Ciência Política utiliza a expressão “dominação tradicional” para designar um conjunto de práticas que os Estados tomam para maximizar esta sensação. A literatura acumulada diz que a dominação tradicional não é só uma forma de garantir a união entre as pessoas. É também uma forma do Estado obter legitimidade, isto é, a obediência dos governados....

O que querem os evangélicos?

Galera, desculpem a ausência prolongada. É mestrado, projeto de doutorado e uma porrada de coisas acontecendo ao mesmo tempo. Mas... como diria Mumm-rá (acho que é assim que escreve), EU VOLTAREI... mhuamhuamhua... Ando preparando umas mudanças pro blog, nada muito grave, só algumas alterações de layout e melhoria de conteúdo também. Por enquanto, deixo para vocês um tostão da minha voz um artigo que publiquei no AC24 Horas , aqui de Rio Branco. Quem quiser entender melhor o caso é só clicar aqui. Bjos na boca e até breve! PS - Quem quiser entender melhor do que trata o texto é só clicar aqui . ------------------------------------- O que querem os evangélicos? Jozafá Batista Numa das mais belas e esquecidas cenas de “Gladiador” (Ridley Scott, 2000), um velho imperador Marco Aurélio, preocupado com o seu legado, testa o general Maximus: “O que é Roma?”. O experiente militar, veterano de muitas batalhas, não titubeia: “Vi muito deste mundo. É brutal, cruel e obscuro. Roma ...

O ARTIGO DE JAMES PETRAS SOBRE O BRASIL

O sociólogo norte-americano James Petras , um dos mais refinados estudiosos da política e da economia mundial, publicou no último dia 21, em seu site (em inglês), um artigo poderoso sobre a conjuntura brasileira: Brazil: extractive capitalism and the great leap backward (" Brasil: capitalismo extrativo e o grande salto para trás ", em tradução livre). O texto analisa o fenômeno da desindustrialização, a questão ambiental, os protestos de rua em junho/julho, a herança política e econômica e a tragédia da política de alianças do nosso país. Trata-se de uma das mais completas - e ousadas - análises da situação contemporânea brasileira no contexto mundial a que tive acesso nos últimos anos. Apesar de bem longo - cerca de 15 páginas - o texto merece ser lido tanto pelas conexões que faz quanto pelo silêncio com que foi recebido no Brasil. Nenhum jornal ou site o reproduziu até agora. Para ler a tradução da agência portuguesa Resistir.info, clique aqui .

BRANQUEAMENTO

GÉRSON ALBUQUERQUE: A GREVE DA EDUCAÇÃO E A CRISE DOS SINDICATOS

A luta dos trabalhadores da educação sempre foi referência no Acre. Nos anos 90, muitos sindicatos surgiram como resultado das conquistas dos professores, fornecendo, inclusive, prestígio e lideranças para o projeto eleitoral do Partido dos Trabalhadores. Desde 1999 distribuídos entre o sindicato dos professores licenciados (Sinplac) e dos Trabalhadores em Educação (Sinteac), os professores vivem hoje uma crise de representatividade resultante exatamente dessa proximidade. Nesse artigo, Gerson Albuquerque, historiador e professor da Universidade Federal do Acre (UFAC), analisa um dos efeitos perversos dessa aproximação sindicato/governo: a contratação de seguranças para impedir a entrada de "indesejáveis" no local de uma assembléia, no auditório do CEBRB - e propõe a sua superação. Coerente com um fenômeno que o cientista político Israel Souza define como "hegemonia em declínio da FPA" , Albuquerque lembra o caráter público das greves e dos sindicatos e desnuda o ...