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Postagens

DICOTOMIZAÇÃO

A palavra feia que dá título à postagem de hoje significa, segundo o Dicionário Houaiss, dividir em duas partes. É o ato de classificar ou validar duas idéias opostas sobre um mesmo processo, geralmente complexo. Na política, a dicotomização é praticada com um acréscimo: escolhendo um meio termo entre idéias dicotômicas. Dessa prática largamente utilizada surgiu a expressão popular "agradar a gregos e troianos". Trata-se do mecanismo ideologicamente mais poderoso da nossa época. Ao se escolher o meio termo de uma dicotomia, oculta-se que trata-se de uma dicotomia, ou seja, de idéias sobre um objeto e não do próprio objeto. Por isso, escolher um meio termo não garante que o objeto esteja de fato elucidado, e sim que entre duas interpretações opostas, ou seja, duas teorias opostas sobre o objeto, escolheu-se o "ponto de equilíbrio". Obviamente, o efeito colateral dessa prática é que o objeto em si - ou seja, o problema, o fato, a realidade em si - permanece intoca...

RIO BRANCO DAS PRAÇAS

Das muitas coisas que não entendo no "projeto paisagístico" de Rio Branco está a enorme quantidade de praças no centro da cidade. Espaços que quase ninguém usa, inclusive nos finais de semana, graças à violência e a falta de opções culturais no dito centro da cidade. Da ponte Juscelino Kubitschek até o prédio da prefeitura, em linha reta, são 5 praças: dos Povos da Floresta, do Senadinho, da Biblioteca Pública, da Revolução e dos Taxistas. Tudo em menos de 500 metros! E há outras praças, nas adjacências, geralmente pequenos espaços com meia dúzia de bancos que ninguém usa, exceto para vender badulaques e traquitanas durante o dia. À noite todas ficam, como de praxe, entregues às baratas. O governo Tião Viana (PT) vem falando em modernização do Acre desde que assumiu. A prefeitura bem que poderia aderir à idéia e ajudar o povo: as ruas do centro já estão apertadas demais e a luta por estacionamentos é quase uma epopéia, especialmente ao meio-dia, quando os pais vão buscar ...

YANNI - THE RAIN MUST FALL

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O DIÁLOGO DO PODER

Na edição de hoje do jornal A Gazeta, do empresário marxista Silvio Martinello, há um louvor formidável a uma das principais invenções da humanidade: o diálogo. Em vinte e cinco linhas e meia muito bem escritas, o jornalista Nelson Liano explica por que os interesses dos movimentos sociais, do Estado e da iniciativa privada devem ceder lugar, quando em atrito, a uma concepção orgânica da vida social. A tese fundamental é que radicalismos de qualquer lado, exatamente por pertencerem a alguma das partes em luta, devem ser apresentados como equivalentes em um amplo diálogo para que se encontre o entendimento comum. Suspeitando de interferências de ambições pessoais nas ameaças de radicalização, o autor ensina que a preponderância do coletivo, do todo, sobre interesses antagônicos, é uma verdade absoluta ao mesmo tempo em que nos informa: “verdades absolutas, na realidade, são típicas de sistemas ditatoriais”. Mas o que poderia ser chamado de “ato falho” numa abordagem meramente psica...

CAI MAIS UM MITO

Talvez porque seja uma prática difundida demais entre blogs e intelectuais, talvez porque tenha pego muita gente inteligente de surpresa. Não importa o motivo, passou em brancas nuvens no Acre a inclusão do livro "Por uma vida melhor" no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). A obra reconhece o que deveria ser óbvio, mas continua extremamente dificultoso para alguns e até meio conspiratório para outros: a língua pertence aos falantes. Na sequência de vários estudos - e até de uma ciência nova, a Sociolinguística - sobre língua e linguagem, o MEC passa a admitir, oficialmente, a fala e até a grafia "errada", isto é, fora da norma culta. Por uma razão simples: sendo o idioma uma construção social que visa a comunicação, a escrita e a pronúncia fora dessa norma não podem ser consideradas erradas. Pelo contrário: normatizar a língua para criar um "padrão de comunicação" é não só errado, como ainda herança de u...

CÓDIGO FLORESTAL

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"ESTAR NEUTRO É TOMAR PARTIDO"

Autor do livro Política para não ser idiota, o filósofo Mario Sérgio Cortella explica por que a despolitização é absolutamente política Por Adriana Delorenzo, na revista Forum Em grego, idiótes quer dizer aquele que só vive a vida privada, que recusa a política. Embora atualmente a palavra não seja usada popularmente com esse significado, ela inspirou o livro do filósofo e professor da PUC/SP, Mário Sérgio Cortella, e Renato Janine Ribeiro: Política para não ser idiota. “Se você não faz política, alguém decidirá por você”, afirma Cortella, que ressalta a importância da participação política em todas as esferas, seja no condomínio, no sindicato, na cidade, no país. Ficar neutro, em suas palavras, é estar do lado de quem tem mais força. “É o mesmo que ver um menino de 15 anos brigando com uma criança de 5. Se você não fizer nada, quem vai ganhar?”, compara. O filósofo explica que a política está presente em todos os momentos. “Todo encontro meu com outra pessoa é um ato políti...