Pular para o conteúdo principal

RIO BRANCO DAS PRAÇAS

Das muitas coisas que não entendo no "projeto paisagístico" de Rio Branco está a enorme quantidade de praças no centro da cidade. Espaços que quase ninguém usa, inclusive nos finais de semana, graças à violência e a falta de opções culturais no dito centro da cidade.

Da ponte Juscelino Kubitschek até o prédio da prefeitura, em linha reta, são 5 praças: dos Povos da Floresta, do Senadinho, da Biblioteca Pública, da Revolução e dos Taxistas. Tudo em menos de 500 metros! E há outras praças, nas adjacências, geralmente pequenos espaços com meia dúzia de bancos que ninguém usa, exceto para vender badulaques e traquitanas durante o dia. À noite todas ficam, como de praxe, entregues às baratas.

O governo Tião Viana (PT) vem falando em modernização do Acre desde que assumiu. A prefeitura bem que poderia aderir à idéia e ajudar o povo: as ruas do centro já estão apertadas demais e a luta por estacionamentos é quase uma epopéia, especialmente ao meio-dia, quando os pais vão buscar as crianças nas escolas.

Que tal transformar todas essas praças em estacionamentos públicos? Não precisa derrubar as árvores, basta remover alguns bancos e aplainar o nível do solo. Na Praça da Revolução poderiam até construir um drive-in, um cinema público (ou terceirizado) com entrada simbólica. Além de melhorar na questão dos estacionamentos, ajudaria a reduzir pasmaceira cultural que hoje impera em Rio Branco, dando ao povo, de quebra, uma opção de lazer.

Algumas idéias radicais são necessárias de vez em quando. Aliás, por mim o centro deveria ser fechado desde a Avenida Ceará até as duas pontes. A área toda viraria um grande calçadão, como é hoje aquela região dos camelôs no centro da cidade. O trânsito ali está ficando inviável, as ruas são estreitas demais e a especulação fundiária, como sempre, só piora a situação.

Transformar as praças em estacionamentos e o centro em calçadão. Dá certo, é só querer.


A foto é da praça inútil na frente do Palácio Rio Branco. A propósito, a região já foi um estacionamento.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OS DEMÔNIOS DESCEM DO NORTE

Os movimentos autônomos de cunho religioso, notadamente os de cunho pentecostal e neopentecostal surgidos nos EUA desde meados do século XIX até a atualidade, são subprodutos de um capitalismo que necessitava de uma base ideológica para se sustentar em seus desatinos de exploração e criação de subsistemas para alimentar os mecanismos de dominação ideológica e manutenção de poderes da matriz do grande capital - os Estados Unidos. Na década de 70 praticamente todos os paises da América Latina estavam sob o domínio de sanguinárias ditaduras militares, cuja ideologia de cunho fascista era a resposta política à ameaça da Revolução Cubana que pretendia se expandir para outros países do subcontinente. Era o tempo da Teologia da Libertação, que, com seu viés ideológico de matriz marxista, contribuiu de forma efetiva para a organização dos trabalhadores e dos camponeses em sindicatos e movimentos agrários que restaram depois na criação do PT e do Movimento dos Sem-Terra (MST). A ação dess...

CORTADOR DE CANA APRESENTA SINTOMAS DE EXAUSTÃO E OUTRAS DOENÇAS

Por dia, trabalhador flexiona a coluna 3.994 vezes e faz o movimento para cortar outras 3.792, em pé ou curvado. Ministério Público do Trabalho de Campinas suspeita de morte causada pelo trabalho no canavial. Estudo brasileiro apresentado durante o 30º Congresso Mundial de Medicina do Esporte observou que um cortador de cana, ao longo das 8h de sua jornada de trabalho, flexiona a coluna 3.994 vezes e faz o movimento de corte da cana outras 3.792. Além disso, na maior parte do tempo, o trabalhador permanece em pé (45%) ou curvado (43%). “Observou-se que o cortador de cana de açúcar apresenta sintomas de exaustão e outras enfermidades causadas pela dificuldade de execução do seu trabalho”, destaca o pôster da pesquisa conduzida por Erivelton Fontana de Laat, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Irati, Paraná), e Rodolfo Andrade de Gouveia Vilela, da Universidade Metodista de Piracicaba (São Paulo). De acordo com o texto, desde 2004, o Ministério Público do Trabalho da ci...

A CONSCIÊNCIA E O OLHAR

Indagado por uma pesquisadora sobre o que gostaria de ver na televisão, um jovem engraxate da favela da Rocinha (Rio) responde: "eu". Isto é logo interpretado como uma reivindicação de espaço por parte de "meninos, como ele, na faixa dos 10 aos 18 anos, para os quais não existe nada em termos de teatro, lazer e cinema". A interpretação encaminha claramente a resposta do entrevistado na direção dos interesses de programação da instituição televisiva a que se vincula a pesquisadora. Seria a manifestação do desejo de um telespectador insatisfeito com a oferta habitual de conteúdos da televisão. O atendimento à demanda ratificaria as linhas gerais do juízo de função psicossocial que a organização televisiva costuma fazer sobre si mesma. Entretanto, para melhor entender a natureza do fenômeno da televisão, começaremos tomando ao pé da letra a resposta do pequeno engraxate: ele desejaria ver a si mesmo enquanto indivíduo concreto - não como índice de uma abstrata méd...