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HIGIENIZAÇÃO LITERÁRIA, MISÉRIA POLÍTICA

É consenso entre os estudiosos (historiadores, críticos literários etc) que a qualidade da literatura em cada época é subproduto do seu posicionamento em relação à forma política predominante. Por esse raciocínio, uma sociedade é mais criativa na medida contrária da subserviência de sua produção literária ao Estado, ao Poder. É algo bastante lógico, que serve para explicar desde a explosão criativa brasileira durante os Anos de Chumbo (1964-1982) até a insipidez da maioria das publicações atuais.

AINDA SOBRE CRISTIANISMO E PAZ SOCIAL

A propósito da postagem " Por que o Cristianismo não produz paz social " recebi o seguinte comentário do leitor Marcelino Freixo: Me permita fazer uma correção. Pelo Evangelho, a salvação do homem é um ato de graça, e não o resultado do amor ao próximo ou mesmo a Deus. O amor a Deus e ao próximo é o resultado de ter a certeza dessa salvação, conforme está escrito em Efésios 2:8-9: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie". Acho que isso invalida o argumento central do seu texto, que o cristianismo ensina que o amor é condição para se ter algo.

POR QUE O CRISTIANISMO NÃO PRODUZ PAZ SOCIAL

Apresentadores de programas policiais de TV compartilham vários "cacoetes". Um deles é relacionar os crescentes índices de criminalidade com a suposta descrença do povo. De fato, é bastante difundido o credo de que o aumento da violência estaria relacionado à "falta de Deus no coração". Surfando na onda de religiosidade e moralidade advinda desta revelação, desde os anos 60 as igrejas realizam enormes eventos públicos: "cruzadas", "festividades" e as recentes "marchas para Jesus". É um equívoco. Primeiro: o Cristianismo é não só a forma religiosa predominante na nossa sociedade há pelo menos 2.000 anos, como é a base histórica da moralidade mundana ocidental. A tal ponto que, ao longo da história, outras religiões como o Budismo, o Hinduísmo, a Umbanda etc, tiveram que "adaptar" suas narrativas como estratégia para arrebanhar seguidores.

RAZÃO TUTELADA E JORNALISMO NO ACRE

Já pensou o que aconteceria se o Movimento Abolicionista, que ocupou grande parte da crônica social brasileira na primeira metade do século XIX - e rendeu uma explosão de movimento criativo, das artes plásticas à literatura - se tivesse fiado na capacidade de diálogo do Estado para acabar com o horror da escravidão? Ou se o movimento Diretas Já, ao invés de invadir as ruas das principais metrópoles brasileiras, resolvesse aguardar o momento mais propício num clima de diálogo e cordialidade com a "difícil situação estrutural" do "Estado revolucionário" brasileiro do final dos anos 80? Já pensou o que haveria se, pela mesma época, o movimento de seringueiros do Acre resolvesse abrir mão dos empates em solidariedade à difícil missão dos governantes de reestruturar a máquina pública após 20 anos de ditadura?

A SOCIEDADE COMO ORGANISMO

Por István Meszáros , na introdução ao livro O poder da ideologia , Boitempo Editorial Desde que Menênio Agripa se dirigiu aos grevistas romanos, que ocupavam o Monte Sagrado no século VI a.C., vem sendo defendida em inúmeras ocasiões a concepção "orgânica" da ordem social. Segundo o tão reverenciado cônsul romano – que, em palavras características da Enciclopédia Britânica, era "conhecido como um homem de pontos de vista moderados" – cada camada social tem seu “lugar próprio” no grande organismo. As camadas inferiores devem obter sua satisfação a partir da "glória reflexa" e, independentemente de sua inferioridade, serem consideradas "igualmente importantes" para o funcionamento do organismo a que pertencem. Evidentemente, esse foi um poderoso exercício de ideologia. Segundo a lenda, os que protestavam se comoveram tanto com os "pontos de vista moderados" do cônsul que, imediatamente, abandonaram sua postura de desafio coletivo e r...

SE ESSA MARCHA FOSSE MINHA...

O que faltou na Marcha da Liberdade deste sábado em Rio Branco? Comida, água pro povo? Música engajada, acrobacias? Teatro de rua, movimento estudantil? Faltou combinarem com a única faixa populacional realmente interessada em mudanças sociais radicais. Onde estava o povo do Caladinho, do Taquari, do Wilson Pinheiro, os expulsos da Avenida Amadeu Barbosa, os jovens desempregados ou subassalariados da nossa "urbe"? Aos que não sabem, uma pista: para sair de suas casas e chegar ao centro da cidade cada um teria que desembolsar para o ônibus 4,8 reais - 2,4 de ida, 2,4 de volta - do seu minguado salário mínimo.

CONTROLE SOCIAL DA MÍDIA

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