Pular para o conteúdo principal

A TEORIA DO VALOR-TRABALHO E SUAS "REFUTAÇÕES"

O artigo a seguir é do professor Cláudio Gontijo, que possui graduação em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1977), mestrado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1978) e doutorado em Economia pela New School for Social Research (1991), EUA.

Gontijo é professor-adjunto da Faculdade de Ciências Econômicas e professor da FEAD-Minas. Suas pesquisas têm ênfase em Economia Política, Macroeconomia e Teoria Monetária e Financeira, atuando principalmente nos seguintes temas: política macroeconômica, inflação, economia brasileira, política de estabilização e valor e distribuição.



Esse artigo procura demonstrar que, apesar dos erros de Marx, a lei do valor possui caráter axiomático e representa fundamento necessário para o sistema de preços de produção, dando conta do duplo caráter das mercadorias, que, se custam capital para os capitalistas, custam trabalho tanto para os trabalhadores quanto para a sociedade como um todo.

Demonstra-se que é através da teoria do valor-trabalho que a economia se transforma em sistema científico, que não pode admitir hipóteses não-demonstradas. Prescindir dela significa romper com o princípio da auto-fundamentação da ciência, formulado claramente em O Capital, que tem como ponto de partida a mercadoria, tomada como imediato concreto, e ponto de chegada a mesma mercadoria, concebida como produto do capital.

Significa abrir mão do princípio unificador da economia clássica em favor de teorias que representam verdadeiras colchas de retalho, costuradas a partir de hipóteses graciosas, tais como a de que as empresas maximizam lucros e a de que os empresários acumulam capital. Mostra-se que a proposta neo-ricardiana de se obter a taxa de lucro e os preços diretamente dos “coeficientes técnicos de produção” e do salário real, ao omitir a duração da jornada e a intensidade do trabalho, para não falar do conteúdo sociológico do salário real, equivale a escamotear sumariamente o conteúdo social incorporado nessas variáveis, a começar pela exploração do trabalho.

Finalmente, a teoria do valor-trabalho permite não apenas derivar todas as categorias econômicas presentes na economia de mercado (preços de mercado; preços de produção; salário, lucro e taxa de lucro, juro e taxa de juros, renda da terra, preço do solo e dos ativos financeiros, etc), mas também dá conta da economia mercantil simples, de modo que abandoná-la equivale a renunciar a uma teoria geral das economias de mercado.


- Leia o artigo completo (em pdf) clicando aqui.

- A imagem ilustra o capitalismo em 1911. Clique nela para ampliar e conferir se algo mudou desde então.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OS DEMÔNIOS DESCEM DO NORTE

Os movimentos autônomos de cunho religioso, notadamente os de cunho pentecostal e neopentecostal surgidos nos EUA desde meados do século XIX até a atualidade, são subprodutos de um capitalismo que necessitava de uma base ideológica para se sustentar em seus desatinos de exploração e criação de subsistemas para alimentar os mecanismos de dominação ideológica e manutenção de poderes da matriz do grande capital - os Estados Unidos. Na década de 70 praticamente todos os paises da América Latina estavam sob o domínio de sanguinárias ditaduras militares, cuja ideologia de cunho fascista era a resposta política à ameaça da Revolução Cubana que pretendia se expandir para outros países do subcontinente. Era o tempo da Teologia da Libertação, que, com seu viés ideológico de matriz marxista, contribuiu de forma efetiva para a organização dos trabalhadores e dos camponeses em sindicatos e movimentos agrários que restaram depois na criação do PT e do Movimento dos Sem-Terra (MST). A ação dess...

CORTADOR DE CANA APRESENTA SINTOMAS DE EXAUSTÃO E OUTRAS DOENÇAS

Por dia, trabalhador flexiona a coluna 3.994 vezes e faz o movimento para cortar outras 3.792, em pé ou curvado. Ministério Público do Trabalho de Campinas suspeita de morte causada pelo trabalho no canavial. Estudo brasileiro apresentado durante o 30º Congresso Mundial de Medicina do Esporte observou que um cortador de cana, ao longo das 8h de sua jornada de trabalho, flexiona a coluna 3.994 vezes e faz o movimento de corte da cana outras 3.792. Além disso, na maior parte do tempo, o trabalhador permanece em pé (45%) ou curvado (43%). “Observou-se que o cortador de cana de açúcar apresenta sintomas de exaustão e outras enfermidades causadas pela dificuldade de execução do seu trabalho”, destaca o pôster da pesquisa conduzida por Erivelton Fontana de Laat, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Irati, Paraná), e Rodolfo Andrade de Gouveia Vilela, da Universidade Metodista de Piracicaba (São Paulo). De acordo com o texto, desde 2004, o Ministério Público do Trabalho da ci...

A CONSCIÊNCIA E O OLHAR

Indagado por uma pesquisadora sobre o que gostaria de ver na televisão, um jovem engraxate da favela da Rocinha (Rio) responde: "eu". Isto é logo interpretado como uma reivindicação de espaço por parte de "meninos, como ele, na faixa dos 10 aos 18 anos, para os quais não existe nada em termos de teatro, lazer e cinema". A interpretação encaminha claramente a resposta do entrevistado na direção dos interesses de programação da instituição televisiva a que se vincula a pesquisadora. Seria a manifestação do desejo de um telespectador insatisfeito com a oferta habitual de conteúdos da televisão. O atendimento à demanda ratificaria as linhas gerais do juízo de função psicossocial que a organização televisiva costuma fazer sobre si mesma. Entretanto, para melhor entender a natureza do fenômeno da televisão, começaremos tomando ao pé da letra a resposta do pequeno engraxate: ele desejaria ver a si mesmo enquanto indivíduo concreto - não como índice de uma abstrata méd...