Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de setembro, 2010

JOGANDO SUJO

Serra e Gilmar Mendes "se acertam" para dificultar a vida dos eleitores humildes. Se pudessem, ressuscitavam a Constituição da Mandioca, de 1823, que exigia título de posse de terras para participar da democracia. Ontem, às 14 horas, Serra ligou para Gilmar Mendes, a quem tratou apropriadamente como "meu presidente". Em seguida, o ministro do STF suspendeu julgamento praticamente decidido para derrubar a exigência de dois documentos na hora de votar. Até a Folha se escandaliza com a conspirata perpetrada pela matraca de toga e o candidato do conservadorismo nativo. Na frase de Gilmar Mendes para justificar sua decisão, todo o menosprezo da direita brasileira pelo povo do país: "daqui a pouco apenas um desenho a lapis será necessário para provar que o Zé Mané é o Zé Mané" [Gilmar Mendes; Folha; 30-09). Leia também: - Serra isenta Dilma de envolvimento em “supostos ilícitos” - Campanha sobre “censura do PT” falsificou notícia - Tamiflu: quem fez lobby para q...

"BÊBADO E POLÍGAMO"

Para quem imagina que a mídia brasileira “pirou”, pense outra vez. Depois dos anos 80, quando houve uma espécie de coalizão entre os grandes grupos midiáticos e a sociedade civil brasileira — culta, limpinha e moradora no eixo Rio-São Paulo –, as empresas de mídia cresceram durante os dois mandatos de FHC, incorporaram novos negócios e transformaram o jornalismo, acima de tudo, em um veículo para defender seus próprios interesses políticos e econômicos, fazendo isso quase sempre sob o manto da defesa do “interesse público”. A Folha de S. Paulo, neste momento, por exemplo, busca reconquistar legitimidade defendendo a liberdade de expressão que não foi ameaçada, em nosso nome! Não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. Vejam esse ataque a Barack Obama, na revista Forbes, que está causando grande polêmica nos Estados Unidos. É uma “formulação” intelectual calcada no preconceito, na ignorância e na xenofobia — três coisas nas quais a direita é especialista em qualquer parte do mundo. Uma...

CRIME E PRECONCEITO

“Quem associar pobreza a violência estará, involuntária e inadvertidamente, justificando o procedimento do policial”, afirma Luiz Eduardo Soares. Antropólogo e cientista político, ele coordenou a área de segurança pública do Rio de Janeiro entre 1999 e 2000 e foi Secretário Nacional de Segurança Pública em 2003. No Le Monde Diplomatique . DIPLOMATIQUE – Quais as causas da violência e da criminalidade que assolam de maneira crescente o Brasil? Luiz Eduardo Soares – Não creio que se deva falar em causas, porque evocá-las implica supor que sua existência provoca efeitos, entre os quais o fenômeno denominado “a violência” ou “a criminalidade”. Alguns responderiam: pobreza. Eu refutaria, apontando para o imenso oceano de pobreza no Brasil e dizendo: eis aí milhões de pobres vivendo em paz e respeitando as leis. E os banqueiros, empresários e políticos presos e condenados? Não cometeram crimes? São ricos e educados e cometeram crimes. Há países muito mais desiguais ou pobres do que outros co...

A DEMOCRACIA COMO MITO

Atenção, homens de bem: democracia (gr. demo = povo, kratos = poder) significa, literalmente, "poder do povo". Sabei que democracia e sistema de representação política são fenômenos distintos. A representatividade política foi criada para conjugar interesses ou classes sociais divergentes (leia-se: pobres e ricos, trabalhadores e proprietários) em seus interesses. Foi por isso que surgiram os partidos políticos, a alternância de poder, as instituições etc. Em consequência direta disso, lutar por democracia só pode significar defender o exercício do poder pelo povo, a participação nas decisões públicas e na operacionalização da política por todo o tecido social. Fora disso, é tentar reduzir a "democracia" a meia dúzia de ritos, mesuras e rapapés entre engravatados. Em termos nordestinos: "a opinião pública somos nós", isto é, o povo. Outro recado: liberdade de imprensa e liberdade de expressão também são coisas distintas. Imprensa é um setor econômico or...

ALARMISTAS GOLPISTAS, UNI-VOS!

Há uma tênue e hipócrita linha separando o editorial de hoje do Estado de São Paulo (“O desmanche da democracia”) da cobertura jornalística do “Manifesto pela democracia” (“Após ataques de Lula, juristas lançam ‘Manifesto em Defesa da Democracia’”), ato público realizado no dia 22, em São Paulo, SP, por intelectuais, juristas, jornalistas e políticos tucanos. Ainda bem. Muito embora um “manifesto pela democracia” que condene o direito de um Presidente da República de expressar sua opinião acerca do comportamento da mídia esteja fadado à contradição – o que deve ser atacado é a verdade ou falsidade de suas opiniões, e não seu direito de as externar -, é ótimo que uma linha editorial qualquer assuma abertamente uma posição ideológica no debate público nacional. Mesmo que falacioso – “(…) É claro que o que move o inventor da sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff, é o medo de que a sequência de denúncias – todas elas com foros de verdade, tanto que já provocaram quatro demissões na Past...

MEDO E PERPLEXIDADE

Por: Luiz Carlos Azenha, no Viomundo Há, por toda parte, da direita à esquerda, uma certa perplexidade. Intelectuais à esquerda e à direita se debruçam sobre a campanha eleitoral com uma ponta de saudosismo e desprezo pela aparente despolitização do eleitorado. O domínio do marketing, a presença do Tiririca e a influência de Lula são apontados como sinais de que a democracia brasileira está às vésperas de um naufrágio. Em um caderno especial, “Desafios do Novo Presidente”, o Estadão exibe sua saudade de um tempo em que ainda era possível controlar o protagonismo das multidões para negociar, por cima, uma “solução política”. Foi assim no movimento das Diretas Já! , em que o vozerio das ruas foi instrumentalizado para buscar uma democracia “de bastidores”. “Democracia à brasileira”, anuncia o Estadão, obviamente sem notar a ironia contida na escolha da foto. Se tivesse escolhido uma imagem da greve dos metalúrgicos do ABC, em 1980, não seria, naturalmente, o Estadão , embora a greve t...

OS DEMOCRATAS CONVICTOS

Por: Por Venício A. de Lima (*) O processo eleitoral e a indisfarçável partidarização revelada na cobertura jornalística dos principais veículos da grande mídia provocaram, nas últimas semanas, reações cada vez mais explícitas e contundentes por parte do próprio presidente da República. Por outro lado, o atual governo chegará ao seu término enfrentando uma hostilidade crescente por parte desses veículos. A virulência dos ataques de editoriais e colunistas contra o governo e o próprio presidente Lula encontram poucos e raros paralelos na história política brasileira. A hostilidade entre alguns veículos e o governo é agora, mais do que antes, inegavelmente recíproca e pública. Razões intrigantes Nesse contexto, diante da proximidade das eleições e da provável vitória da candidata apoiada pelo atual governo – aos quais esses veículos fazem oposição explícita – é inevitável que surjam questões que não só busquem compreender o que vem acontecendo no processo eleitoral, mas, sobretudo, quest...

INDIVÍDUO OU COLETIVIDADE?

Uma das grandes questões da Sociologia é saber quem veio primeiro, a galinha ou o ovo: o indivíduo ou a sociedade? Para pensadores positivistas como Comte e Durkheim, dentre outros, a primazia é claramente da sociedade. São relativamente conhecidas as concepções de ambos de que a soiedade seria um "organismo" e que desajustes sociais deveriam ser buscados e corrigidos nos indivíduos pouco afetos a um ordenamento, uma organização sistêmica. Teóricos da economia como David Ricardo e Adam Smith esforçaram-se para desenvolver seus estudos nesta direção. Acabaram descobrindo que não há como dissociar uma coisa da outra, muito menos definir onde uma começa e a outra termina: estamos todos, segundo Smith, envolvidos em sociedade e se a liberdade individual é uma necessidade que se impõe para o bem-estar, a própria sociedade deve organizar uma nova ordem social que tenha na liberdade o seu pressuposto. Smith vai além. Depois de compreender, no seu "Riqueza das Nações", que ...

DE PÉ!

Por: Fábio Konder Comparato (*) Dentro de poucos dias realizaremos, mais uma vez, eleições em todo o país. Elas coincidirão com o 22º aniversário da promulgação da atual Constituição. Quer isto dizer que já vivemos em plena democracia? Nada mais ilusório. Se o regime democrático implica necessariamente a atribuição de poder soberano ao povo, é forçoso reconhecer que este continua, como sempre esteve, em estado de menoridade absoluta. Povo, o grande ausente Quando Tomé de Souza desembarcou na Bahia, em 1549, munido do seu famoso Regimento do Governo, e flanqueado de um ouvidor-mor, um provedor-mor, clero e soldados, a organização político-administrativa do Brasil, como país unitário, principiou a existir. Tudo fora minuciosamente preparado e assentado, em oposição ao descentralismo feudal das capitanias hereditárias. Notava-se apenas uma lacuna: não havia povo. A população indígena, estimada na época em um milhão e meio de almas, não constituía, obviamente, o povo do novel Estado; tampo...

CARTA A UM JORNALISTA DO FUTURO

Prezado Jornalista, Escrevo-lhe do Brasil, cidade de São Paulo, em meados de Setembro do ano de 2010 (a caminho da sagração da Primavera). Peço-lhe o máximo de paciência [a prosa será por demasiado extensa], cuidado, ponderação e desprendimento ao ler esse depoimento/testemunho. Intuo que um calendário, na parede à sua frente, registre um ano qualquer na segunda metade desse século XXI. Certamente, se tomar como parâmetro a realidade dos tempos que você vivencia aí, aquilo que chamaria grosseiramente de “übermídia”, achará absurdos, inacreditáveis mesmo, os fatos que passarei a lhe narrar. Mas, asseguro-lhe, trata-se da mais pura verdade (a tal “factual”). Estou seguro de que o seu “olhar épico” propiciará um julgamento e uma visão mais eqüidistante e reveladora dos dias difíceis que vivemos por aqui. Remeto-lhe essa mensagem com a esperança de que zele para que parte da história da imprensa seja contada de forma a que esteja preservada a verdade dos fatos, como eles ocorreram realment...

PSEUDOCIÊNCIA

Além de derrubarem presidentes democraticamente eleitos , promoverem o arrocho salarial e o empobrecimento dos trabalhadores , detonarem os recursos naturais do planeta , implantarem regimes de exceção com a institucionalização da tortura no Brasil, Chile, Argentina, Venezuela, Colômbia, El Salvador e outros países, as direitas mundiais sempre contaram com máquinas extremamente poderosas e eficazes de desinformação. Na base dessa desinformação está a manipulação de números, estatísticas e produção científica, com erros tão sutis que só se revelam após uma minuciosa revisão e análise dos argumentos apresentados. É a metodologia ensinada pelo ministro e amigo de Hitler, Joseph Goebbels, que em um dos seus artigos no jornal nazista Der Angriff (O Ataque) afirmou, peremptório: "Uma mentira cem vezes repetida torna-se verdade". Numa época e região em que o conhecimento é ainda escasso e o apelo à tradição conservadora é ainda tomado, equivocadamente, como meio de equilíbrio soci...