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Mostrando postagens de novembro, 2010

A MORDAÇA GAY

Um dos debates mais promissores da futura gestão Dilma é a discussão sobre o Projeto de Lei 122/2006 , que propõe a criminalização da homofobia. A questão já rendeu várias pautas para jornalistas, especialmente em programas de auditório na TV, e vem sendo tratada pelo Congresso Nacional, acredite se quiser, como uma queda-de-braço entre grupos de defesa dos direitos homoafetivos e líderes de igrejas, notadamente cristãs. É sugestivo que nas discussões televisivas não apareçam antropólogos, sociólogos, cientistas políticos ou biólogos. A voz da ciência cede lugar às performances de pastores evangélicos, que - felizmente - usam nessas aparições os mesmos argumentos que orientam as bancadas evangélicas nas diversas instâncias do Poder Legislativo. Esses argumentos são importantes porque ajudam a esclarecer a questão. Seu debate permite conhecer não somente a solução para os crimes cometidos contra homossexuais, como ainda ampliar o nosso conhecimento do quanto o discurso religioso conseg...

BEYOND CITIZEN KANE

Título em português: Muito Além do Cidadão Kane Origens e conexões da Rede Globo de Televisão com o Regime Militar e uma análise da sua nefasta influência na sociedade brasileira, ocultando a realidade e manipulando opiniões. Mais sobre o documentário aqui .

O AFETO AUTORITÁRIO

Por Renato Janine Ribeiro Tenho defendido as novelas. Contra a opinião de muitos colegas da Universidade, sustento que elas têm papel positivo na transmissão de certos ideais, em especial o da igualdade da mulher em relação ao homem e o da condenação do preconceito de raça. É claro que a TV é menos profunda ou pioneira que os grupos feministas ou de consciência indígena ou negra – mas só ela pode levar uma idéia, um nome de livro, um comportamento a 50 ou 60 milhões de pessoas. Mas, justamente porque defendo o que é positivo nas novelas, devo criticar o afeto autoritário que nelas se vê. Penso no despotismo do patrão sobre os empregados, e da patroa sobre a doméstica negra. Um personagem como Pedro (José Mayer) em Laços de família não respeita as pessoas – e no entanto é, globalmente falando, mais simpático que antipático. A TV ainda tolera condutas que socialmente se tornaram inaceitáveis. Uma novela precisa ter personagens de várias classes sociais. Se não tiver pobres, classe média ...

CUBA: MUDANÇAS A CAMINHO

Da Carta Maior Ao mesmo tempo do anúncio da realização do congresso, feito pelo segundo secretário da organização e presidente da República, o general Raúl Castro, também foi divulgado e posto em circulação, com uma edição de milhares de exemplares, uma publicação de 32 páginas intitulada Proyecto de lineamientos de la política económica y social , um documento que, por meio de um texto introdutório e 291 propostas, começa a definir um novo modelo de política econômica, produtiva, comercial e social do país, que se espera, consiga superar a crise atual. Esse esforço é anunciado sob o princípio de que “o sistema de planificação socialista continuará sendo a via principal para a direção da economia nacional” e com a perspectiva de que a ilha rume para a direção de uma eficiência produtiva, promova a eliminação das mais diversas formas de paternalismo geradas e estimuladas pelo próprio Estado cubano e obtenha a necessária credibilidade por parte de antigos e novos investidores estrangeiro...

10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA

Por Agência Adital O linguista Noam Chomsky(*) elaborou a lista das "10 Estratégias de Manipulação" através da mídia. 1. A estratégia da distração. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranquilas"). 2. Criar problema...

LIBERAIS E A FRAGILIDADE DO CAPITALISMO

Da Espaço Acadêmico Com a crise do mercado financeiro, surpreendentemente, economistas e jornalistas liberais passaram a defender a interferência do Estado na economia capitalista. Contraditoriamente ao seu discurso clássico, marcado pela apologia do livre mercado como único regulador da economia, os liberais defendem a ajuda financeira do Estado aos bancos e empresas em estado falimentar. Teriam os liberais revisto suas teorias, analisado seus equívocos e modificado suas posições? Trata-se de uma crise do capitalismo ou do liberalismo? Até bem pouco tempo, sequer a palavra “capitalismo” era mencionada no discurso político dominante no mundo. Parecia que estávamos vivendo em uma sociedade em que a desigualdade, a pobreza, a exclusão social e a destruição ambiental, quando consideradas, eram geralmente analisadas como sendo decorrentes da ação de indivíduos, sem que uma lógica estrutural conduzisse os seres humanos a agir de determinada forma. Inclusive, em tempos de crise, muitos intel...

PAPEL ACEITA TUDO

Uma graça a repercussão nos jornais da pesquisa Contas Regionais do IBGE nesse fim de semana. O crescimento de 6,9% do Produto Interno Bruto (PIB) acreano em 2008 foi c omemorado como um bem coletivo sem que ninguém, absolutamente ninguém perguntasse: "Cadê os resultados dessa abundância toda?" Onde estão as indústrias? Os empregos? A redução das desigualdades? A qualidade de vida? Para onde foi essa grana? Não contesto o ritmo de crescimento da economia acreana, algo que o Censo 2010, que vai direto à fonte, deve confirmar e ampliar. Vale lembrar que "Contas Regionais" é obtida pelo cruzamento de dados de várias instituições, entre elas a Receita Federal, e outras pesquisas do IBGE feitas por amostragem. O que duvido muito é que o crescimento do PIB no Acre, no Brasil ou onde quer que seja signifique melhoria da qualidade de vida, que parece ser o objetivo perseguido pelo governo e pelos jornais. Estes últimos pregam fervorosamente que a empregabilidade teria com...

A CHINA DO FUTURO

O artigo abaixo foi enviado por e-mail pela jornalista anarquista Angélica Paiva, uma das poucas profissionais de imprensa que ainda ousam fazer jornalismo crítico no Acre (nas condições provincianas locais, fazer jornalismo "com opinião", ou seja, com "lado", é quase uma blasfêmia. Além de perigoso, é uma estratégia usual para se obter vantagens ou cargos). Por Luciano Pires, via e-mail Alguns conhecidos voltaram da China impressionados. Um determinado produto que o Brasil fabrica um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões... A qualidade já é equivalente. E a velocidade de reação é impressionante. Os chineses colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas... Com preços que são uma fração dos praticados aqui. Uma das fábricas está de mudança para o interior, pois os salários da região onde está instalada estão altos demais: 100 dólares. Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo. Que acrescidos de impostos e ...

A FAVELIZAÇÃO DAS CIDADES

“Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem.” Manuel Bandeira Por Ari de Oliveira Zenha, na Carta Maior O capitalismo tem transformado sistematicamente as cidades em mega cidades e mais ainda, em hipercidades, com população superior a 20/30 milhões de habitantes. Os assentamentos urbanos têm evoluído urbanisticamente trazendo consigo grandes núcleos urbanos que vão, na medida em que crescem, transformando estes – núcleos urbanos – numa fusão e apropriação em seu entorno das regiões rurais. Já é comum andarmos quilômetros e quilômetros dentro deste complexo de imbricamento, não sabendo aonde termina a região urbana e começa a rural, é o que os urbanistas chamam de hibridação rural/urbana. Na cidade de São Paulo as favelas, em 1970, eram de 1,2% de sua população, passando em 1993 para 19,8%...

A ESTÉTICA DA EXCLUSÃO

Os ataques a quatro jovens na capital paulista , as declarações de fúria incontida do ex-coronel Hildebrando Pascoal à imprensa e as mais recentes tentativas relativistas de justificar o injustificável no caso Mayara Petruso têm como ponto comum a mais profunda incapacidade de lidar com a integralidade e a pluralidade humanas. Seria pragmático, ainda que tedioso, se essa questão pudesse ser esgotada como gostam os apresentadores de programas de jornalismo policial: em discursos etéreos sobre o quanto devemos nos respeitar, nos amar, nos compreender etc, especialmente quando se aproximam os festejos natalinos. Mais efetivo, no entanto, é refletir sobre o nascedouro real de tais concepções: o estabelecimento da exclusão como valor cultural, como norma moral propriamente dita. Que esquemas psíquicos de exclusão produzem comportamentos preconceituosos ou autoritários é uma constatação antiga das ciências da mente, especialmente da Psicanálise. A questão é o cerne disso. Na Id...

O EXEMPLO CHILENO

Em um micro-ônibus da Transantiago havia um aviso fixado por algum usuário que dizia: “Se pago a passagem, não como”. Essa é uma verdade do tamanho do sol em um pequeno país cujo PIB cresce a cerca de 6%, ao custo da mais dura desigualdade social, concentração econômica e exploração sem limite nem regulação alguma de seres humanos e natureza. Segundo dados oficiais, o Chile é hoje mais pobre que em 2006. Naquele ano, a pobreza alcançava 13,7% da população nacional, enquanto hoje esse índice é de 15,1%. E esses números, na verdade, são ainda maiores. O artigo é de Andrés Figueroa Cornejo. Continua na agência Carta Maior .

OBAMA, O COMUNISTA

Ou a insustentável idiotia do ser, lá e cá Faz parte da pregação ideológica de direita a identificação entre socialismo e desenvolvimento de medidas de proteção social, muitas delas relacionadas à afirmação de direitos básicos garantidos na Constituição e na Declaração Universal dos Direitos Humanos . Que a afirmação de direitos, como alimentação, habitação e saúde, dentre outros, seja uma necessidade para a reprodução do modo de produção capitalista, é uma uma informação totalmente irrelevante. Igualmente dispensável é notar que tais direitos, garantidos por meio dos modernos sistemas de tributação, comércio, indústria etc, fortalecem o mercado interno e acabam por criar uma demanda formidável que garante o consumo em tempos de crise. Ou seja, as medidas acusadas de implantarem - insidiosamente - o socialismo são apenas concessões de direitos básicos, garantidos na legislação básica, que visam a cidadania política dentro do capitalismo por meio da criação de uma demanda interna para ...

IMPRENSA: REGULAÇÃO x LIBERDADE

Por Venício Lima, no Observatório da Imprensa Em entrevista concedida ao Jornal da Band , no último dia 2/11, a presidente eleita Dilma Rousseff tentou esclarecer, pela undécima vez, uma diferença que a grande mídia e seus aliados têm ignorado e, arriscaria a dizer, deliberadamente confundido: marco regulatório da mídia não tem nada a ver com qualquer restrição à liberdade da imprensa. Diante da inescapável pauta sobre as "ameaças à democracia e à liberdade de expressão e de imprensa" que o país estaria enfrentando, o apresentador, Fábio Pannunzio, pergunta: Apresentador – Esse é um assunto que, apesar de a senhora ter falado mil vezes disso, ainda não ficou claro o suficiente para que as pessoas possam entender. Então, vou insistir na pergunta. A senhora disse no seu discurso de anteontem [31/10] que prefere o barulho de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras, não é? A senhora estava se referindo a isso que se atribuí ao PT, que há uma tentativa de controlar a liberda...

A FUNÇÃO IDEOLÓGICA DA SOCIOBIOLOGIA

Diante da estranha proliferação de crenças potencialmente nazistas , que pressupõem o indivíduo como um animal em que até a organização social é determinada geneticamente, dei-me ao trabalho de traduzir o texto abaixo. É o editorial de um dos mais prestigiados jornais de ciência dos Estados Unidos, dando conta do que sociólogos e demais cientistas sociais já descobriram há tempos: humano é um complexo de múltiplas interações, não o resultado de determinações rigidamente fechadas que servem de forma precisa a interesses políticos. No nazismo, por exemplo, a crença de que o indivíduo era moldado geneticamente serviu ao triste espetáculo que todos conhecem. Será que vão ressuscitar também os estudos de Joseph Mengele e Cesare Lombroso sobre as diferenças das "raças"? O que pretendem com isso? Tradução livre do Too Much Weekly Conservadores em geral tendem a esperar que a investigação do genoma humano ajude a provar que a natureza, não ordens sociais desiguais, determina quem aca...

CAPITALISMO EM CRISE

Palestrante: Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Doutor em Economia e professor do Instituto de Economia da Unicamp. Autor dos livros Políticas do trabalho e de garantia de renda – O capitalismo em mudança (São Paulo: Editora São Paulo); E-trabalho (São Paulo: Publisher Brasil, 2002) e Desenvolvimento, trabalho e solidariedade (São Paulo: Cortez, 2002).

NARCISO

Os resultados da campanha eleitoral que tentou dividir o Brasil entre "esclarecidos" e "massa", entre "votos da razão" e "voto da emoção" continuam produzindo os seus efeitos nefastos. Depois dos benditos mapas gêmeos, analisados em alguns blogs com tanta razão científica quanto a que a SS dispensava aos estudos de Joseph Mengele sobre a superioridade da raça ariana, eis que surge, como um novo capítulo do Livro das Artes Xenofóbicas Brasileiras, o episódio envolvendo a ex-estagiária de Direito, Mayara Petruso, que chamou nordestinos de vagabundos e sugeriu o assassinato "solidário" como medida de controle migratório. Após ser processada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Mayara tornou-se o motivo da saída das sombras de uma organização até então pouco conhecida, o movimento São Paulo para os Paulistas . Além de defender Mayara, que teria cometido apenas um "exagero emocional", ela tratou de promover um movimento objet...