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A CRISE




Não sou, nunca fui, de calar diante da injustiça. Nem de esconder informação, mesmo quando a veiculação era proibida por censura interna - dos donos dos jornais em que trabalhei - ou externa - do governo ou dos "amigos" dos patrões. A maioria das matérias que escrevi tem mensagens internas, algumas subliminares, outras irônicas; são fórmulas que fui criando ao longo dos anos para driblar a cadeia de podres poderes que subjugam a imprensa acreana, tornando-a mera
office-girl dos chiquérrimos papangus da nossa elite seringalista.

Seguirei o meu padrão para escrever sobre a atual crise financista-econômica internacional, que não só já chegou ao Brasil como afetou até a Cooperativa Agroextrativista de Castanhas de Xapuri (Caex), segundo matéria recente da TV estatal Aldeia.

Antes quero dizer aos que andam me chamando de radical, xiita e sei lá o que mais: sou radical, sim; o que não sou é dogmático. O radical, como justamente o oposto do dogmático, vê o mundo como ele é e busca respostas, soluções. O dogmatismo é a atitude de usar um par de viseiras para esconder a realidade, ou esconder-se dela.

Mas é compreensível que pensem assim. Todo o receituário (obituário) do modo de viver contemporâneo é repleto de dogmas: o dogma do lead, o dogma da imparcialidade jornalística, o dogma do equilíbrio das leis, o dogma do estado de direito, o dogma da independência dos Poderes etc. São as viseiras do dogmatismo nosso de cada dia que nos mantêm cegos para a realidade.

Nessa realidade pessoas são assassinadas, estupradas, violadas, marginalizadas, invadidas, despejadas, ofendidas, desrespeitadas etc. Esses crimes acontecem todos os dias, em todos os lugares, inclusive sob as nossas ventas.

Exemplifiquemos com a crise financeira internacional. Desde que ela eclodiu em meados de 2007 com os chamados créditos suprime, nos EUA, governos e instituições de vários países, inclusive os brasileiros, apressaram-se a dizer que tratava-se de um problema localizado e que o alcance do mesmo seria tão curto quanto a sua duração.

Eram viseiras. No mundo real a crise alastrou-se, saindo dos escritórios milionários de especulação financeira profissional para a economia real, fechando empresas, criando uma onda de desemprego em centenas de países e forçando os governos a usar bilhões de dólares - dinheiro público - para saldar dívidas especulativas.

A crise é radical.

O que nos resta, senão uma resposta radical?

Explico. De acordo com Gerald Celente, diretor do nova-iorquino
Trends Research Institute e um dos mais respeitados analistas econômicos dos EUA, o que nos aguarda é uma depressão global tão poderosa que tornará os EUA uma nação subdesenvolvida. A depressão global, diz ele, será ainda pior que a de 1929 e criará uma imensa onda de desemprego com ocupação de imóveis e conflitos nas ruas por... comida!

Clique aqui para saber mais. Se souber inglês clique também aqui (contém vídeos e mais entrevistas afins).

As declarações de Celente batem com as do Laboratoire Européen d'Anticipation Politique (LEAP), instituição de pesquisa econômica com sede na França e formada por economistas e outros cientistas de países da chamada "zona euro". Clique aqui para ver o último boletim e aqui para navegar, em espanhol, no site da instituição. No cenário do LEAP a depressão ficará tão grave que esses e outros cientistas, prevendo o colapso da economia global ainda em 2009, enviaram uma carta aberta aos presidentes do G-20 que reuniram-se nos Estados Unidos no início de novembro. Veja o conteúdo da missiva aqui.

Há duas alternativas, caro leitor: enfiar dogmaticamente a cara na areia, como fazem os avestruzes, ou partir para uma solução que garanta a distribuição da renda e a democratização das riquezas do nosso país.

Eu já fiz a minha escolha.

Quem preferir uma análise mais acadêmica e abrangente sobre o que raios está acontecendo e principalmente sobre "por-que-ninguém-fez-nada-antes" deve clicar
aqui.

Boa leitura e até breve!


A foto acima é de uma família desempregada vivendo em condições miseráveis em Elm Grove, Califórnia, Estados Unidos, na depressão de 1929. Fonte: Wikipedia.

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