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OS DEMÔNIOS DESCEM DO NORTE

Os movimentos autônomos de cunho religioso, notadamente os de cunho pentecostal e neopentecostal surgidos nos EUA desde meados do século XIX até a atualidade, são subprodutos de um capitalismo que necessitava de uma base ideológica para se sustentar em seus desatinos de exploração e criação de subsistemas para alimentar os mecanismos de dominação ideológica e manutenção de poderes da matriz do grande capital - os Estados Unidos. Na década de 70 praticamente todos os paises da América Latina estavam sob o domínio de sanguinárias ditaduras militares, cuja ideologia de cunho fascista era a resposta política à ameaça da Revolução Cubana que pretendia se expandir para outros países do subcontinente. Era o tempo da Teologia da Libertação, que, com seu viés ideológico de matriz marxista, contribuiu de forma efetiva para a organização dos trabalhadores e dos camponeses em sindicatos e movimentos agrários que restaram depois na criação do PT e do Movimento dos Sem-Terra (MST). A ação dess...

O VERDE É CONSERVADOR?

Marina Silva se tornou uma política conservadora, que facilmente pode ser incorporada no discurso religioso de salvacionismo do planeta, com o qual ela está afinada. As suas idéias encontram uma pirâmide consistente de valores: Deus, Ambiente e Sociedade. Ela é a primeira do novo cristianismo brasileiro a parecer viver pela idéia que considera verdadeira. Com capacidade, inclusive, de conquistar os conservadores brasileiros - aqueles que não possuem um projeto de poder deliberado, mas que aceitam a vida tal como ela é. O projeto ambiental no Brasil é um projeto por acontecer. E não virá do PV, que deve ser implodido como casa de um pobre conservadorismo sem poder. Continua na Agência Carta Maior .

SOBRE O JORNALISMO ACREANO

Não estou entre os que culpam os jornalistas acreanos pelo tom monocórdico das notícias que circulam na nossa imprensa seringueira. Trabalhei demais nas redações de Rio Branco para saber que esse ponto de vista é só mais uma manifestação do velho preconceito de classe social. Preconceito cuja ambição histórica sempre foi culpar os trabalhadores pelos conchavos dos patrões. É evidente que o jornalismo praticado no Acre poderia melhorar, e muito, mas esta melhoria passaria necessariamente pelo aprofundamento da cobertura sobre a realidade do povo acreano: suas lutas, histórias, aventuras e sonhos. Pela vida coletiva como construção diária. Acontece que - e a chamada "classe dirigente" do Acre sabe disso - toda uma epopéia de esforço humano contra o abandono e a manipulação política viriam à tona. Antigos mitos seriam desconstruídos. Vários discursos, desacreditados. Diversas promessas, desmentidas. Esse jornalismo não seria agradável para os que sempre dependeram do dinheiro pú...