Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de maio, 2011

HEGEMONIA EM DECLÍNIO E SUBVERSIVISMO NA FPA

Por Israel Souza , via e-mail Título original: Hegemonia em declínio e subversivismo no Governo da FPA Do mesmo autor: Eleições 2010: um olhar a partir "dos de baixo" As urnas nos deram “um recadinho”, disse Jorge Viana recentemente, num comentário sobre o resultado das últimas eleições. A nosso ver, porém, as urnas mostraram algo mais sério: o declínio da hegemonia do Governo da Frente Popular do Acre (FPA). Como se sabe, a FPA chega ao poder estatal quando, por força do acirramento dos conflitos sociais, os representantes políticos das oligarquias já não podiam assegurar a manutenção de seus interesses. Os “conturbados” governos de Edmundo Pinto (1991-1992), Romildo Magalhães (1992-1994) e Orleir Camely (1995-1998) davam claros sinais disso. À testa das forças progressistas que foram gestadas durante os “anos de chumbo”, eleição após eleição, o PT foi crescendo e se consolidando como um grande partido. Bem articulado no âmbito da “sociedade civil” (grêmios est...

ESFINGE

O texto a seguir é o primeiro capítulo de um dos melhores livros de filosofia que já li, Dialética do concreto , do tcheco Karel Kosik. Obra primorosa, publicada em 1963 e reeditada desde então, parece que foi escrita ontem... A dialética trata da “coisa em si”. Mas a “coisa em si” não se manifesta imediatamente ao homem. Para chegar à sua compreensão, é necessário fazer não só um certo esforço, mas também um détour . Por este motivo o pensamento dialético distingue entre representação e conceito da coisa, com isto não pretendendo apenas distinguir duas formas e dois graus de conhecimento da realidade, mas especialmente e sobretudo duas qualidades da práxis humana. A atitude primordial e imediata do homem, em face da realidade, não é a de um abstrato sujeito cognoscente, de uma mente pensante que examina a realidade especulativamente, porém a de um ser que age objetiva e praticamente, de um indivíduo histórico que exerce sua atividade prática no trato com a natureza e com os out...

DICOTOMIZAÇÃO

A palavra feia que dá título à postagem de hoje significa, segundo o Dicionário Houaiss, dividir em duas partes. É o ato de classificar ou validar duas idéias opostas sobre um mesmo processo, geralmente complexo. Na política, a dicotomização é praticada com um acréscimo: escolhendo um meio termo entre idéias dicotômicas. Dessa prática largamente utilizada surgiu a expressão popular "agradar a gregos e troianos". Trata-se do mecanismo ideologicamente mais poderoso da nossa época. Ao se escolher o meio termo de uma dicotomia, oculta-se que trata-se de uma dicotomia, ou seja, de idéias sobre um objeto e não do próprio objeto. Por isso, escolher um meio termo não garante que o objeto esteja de fato elucidado, e sim que entre duas interpretações opostas, ou seja, duas teorias opostas sobre o objeto, escolheu-se o "ponto de equilíbrio". Obviamente, o efeito colateral dessa prática é que o objeto em si - ou seja, o problema, o fato, a realidade em si - permanece intoca...

RIO BRANCO DAS PRAÇAS

Das muitas coisas que não entendo no "projeto paisagístico" de Rio Branco está a enorme quantidade de praças no centro da cidade. Espaços que quase ninguém usa, inclusive nos finais de semana, graças à violência e a falta de opções culturais no dito centro da cidade. Da ponte Juscelino Kubitschek até o prédio da prefeitura, em linha reta, são 5 praças: dos Povos da Floresta, do Senadinho, da Biblioteca Pública, da Revolução e dos Taxistas. Tudo em menos de 500 metros! E há outras praças, nas adjacências, geralmente pequenos espaços com meia dúzia de bancos que ninguém usa, exceto para vender badulaques e traquitanas durante o dia. À noite todas ficam, como de praxe, entregues às baratas. O governo Tião Viana (PT) vem falando em modernização do Acre desde que assumiu. A prefeitura bem que poderia aderir à idéia e ajudar o povo: as ruas do centro já estão apertadas demais e a luta por estacionamentos é quase uma epopéia, especialmente ao meio-dia, quando os pais vão buscar ...

YANNI - THE RAIN MUST FALL

Mais do mesmo aqui .

O DIÁLOGO DO PODER

Na edição de hoje do jornal A Gazeta, do empresário marxista Silvio Martinello, há um louvor formidável a uma das principais invenções da humanidade: o diálogo. Em vinte e cinco linhas e meia muito bem escritas, o jornalista Nelson Liano explica por que os interesses dos movimentos sociais, do Estado e da iniciativa privada devem ceder lugar, quando em atrito, a uma concepção orgânica da vida social. A tese fundamental é que radicalismos de qualquer lado, exatamente por pertencerem a alguma das partes em luta, devem ser apresentados como equivalentes em um amplo diálogo para que se encontre o entendimento comum. Suspeitando de interferências de ambições pessoais nas ameaças de radicalização, o autor ensina que a preponderância do coletivo, do todo, sobre interesses antagônicos, é uma verdade absoluta ao mesmo tempo em que nos informa: “verdades absolutas, na realidade, são típicas de sistemas ditatoriais”. Mas o que poderia ser chamado de “ato falho” numa abordagem meramente psica...

CAI MAIS UM MITO

Talvez porque seja uma prática difundida demais entre blogs e intelectuais, talvez porque tenha pego muita gente inteligente de surpresa. Não importa o motivo, passou em brancas nuvens no Acre a inclusão do livro "Por uma vida melhor" no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). A obra reconhece o que deveria ser óbvio, mas continua extremamente dificultoso para alguns e até meio conspiratório para outros: a língua pertence aos falantes. Na sequência de vários estudos - e até de uma ciência nova, a Sociolinguística - sobre língua e linguagem, o MEC passa a admitir, oficialmente, a fala e até a grafia "errada", isto é, fora da norma culta. Por uma razão simples: sendo o idioma uma construção social que visa a comunicação, a escrita e a pronúncia fora dessa norma não podem ser consideradas erradas. Pelo contrário: normatizar a língua para criar um "padrão de comunicação" é não só errado, como ainda herança de u...

CÓDIGO FLORESTAL

Saiba mais aqui .

"ESTAR NEUTRO É TOMAR PARTIDO"

Autor do livro Política para não ser idiota, o filósofo Mario Sérgio Cortella explica por que a despolitização é absolutamente política Por Adriana Delorenzo, na revista Forum Em grego, idiótes quer dizer aquele que só vive a vida privada, que recusa a política. Embora atualmente a palavra não seja usada popularmente com esse significado, ela inspirou o livro do filósofo e professor da PUC/SP, Mário Sérgio Cortella, e Renato Janine Ribeiro: Política para não ser idiota. “Se você não faz política, alguém decidirá por você”, afirma Cortella, que ressalta a importância da participação política em todas as esferas, seja no condomínio, no sindicato, na cidade, no país. Ficar neutro, em suas palavras, é estar do lado de quem tem mais força. “É o mesmo que ver um menino de 15 anos brigando com uma criança de 5. Se você não fizer nada, quem vai ganhar?”, compara. O filósofo explica que a política está presente em todos os momentos. “Todo encontro meu com outra pessoa é um ato políti...

PROTOFASCISMO

Numa época em que todos querem ser os heróis da democracia vale uma reflexão sobre o fascismo, ou, se quiserem, sobre a conduta pessoal que antecipa o fascismo. O trecho abaixo é parte do texto "Tolerância Zero ao Protofascismo", de Raymundo Lima, doutor em Educação pela USP e professor na área de Metodologia da Pesquisa da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Do Espaço Acadêmico Um traço protofascista é o "culto da ação pela ação". A ação fascista é beligerante e carece de reflexão prévia, logo, é uma ação de fundo irracional ou passional e imprudente. O fascista não fala, age e faz discursos. Quer dizer, nele some a pessoa - que fala - para dar lugar ao discurso político em nome de alguma causa. O discurso que a engendra costuma vir em forma de razão e moral cínicas, de moralismo e legalismo positivista. Segundo Slavój Zizek, a "razão e a moral são cínicas" na medida em que eles sabem que fazem um ato mau, mas mesmo assim argumentam sobre a ...

DIA DAS CADELAS

Neste segundo domingo de maio, leia com a sua mãe! "Todo mundo concorda que uma cadela [ bitch ] é sempre uma fêmea ... Também é geralmente concordado que uma cadela é agressiva, e consequentemente não feminina (aham).... Cadelas têm algumas ou todas as seguintes características.... Cadelas são agressivas, assertivas, dominadoras, arrogantes, mentes fortes, maliciosas, hostis, diretas, objetivas, cândidas, detestáveis, cascas grossas, teimosas, depravadas, autoritárias, competentes, competitivas, insistentes, barulhentas, independentes, obstinadas, exigentes, manipuladoras, egoístas, compulsivas, realizadoras, esmagadoras, ameaçadoras, assustadoras, ambiciosas, resistentes, impudentes, masculinas, impetuosas, e turbulentas. Entre outras coisas.... Cadelas são grandes, altas, fortes, largas, estrondosas, violentas, ásperas, deselegantes, desajeitadas, espaçosas, estridentes, feias. Cadelas preferem mover seus corpos livremente em vez de conter, refinar e confinar seus movimentos ...

A CONSCIÊNCIA E O OLHAR

Indagado por uma pesquisadora sobre o que gostaria de ver na televisão, um jovem engraxate da favela da Rocinha (Rio) responde: "eu". Isto é logo interpretado como uma reivindicação de espaço por parte de "meninos, como ele, na faixa dos 10 aos 18 anos, para os quais não existe nada em termos de teatro, lazer e cinema". A interpretação encaminha claramente a resposta do entrevistado na direção dos interesses de programação da instituição televisiva a que se vincula a pesquisadora. Seria a manifestação do desejo de um telespectador insatisfeito com a oferta habitual de conteúdos da televisão. O atendimento à demanda ratificaria as linhas gerais do juízo de função psicossocial que a organização televisiva costuma fazer sobre si mesma. Entretanto, para melhor entender a natureza do fenômeno da televisão, começaremos tomando ao pé da letra a resposta do pequeno engraxate: ele desejaria ver a si mesmo enquanto indivíduo concreto - não como índice de uma abstrata méd...

ÓPIO DO POVO OU CULTURA POPULAR?

André Corten, no Le Monde Diplomatique Nunca a Igreja Universal do Reino de Deus obtivera tamanha audiência. Em 12 de outubro de 1995, dia da festa da padroeira do Brasil, através da rede brasileira mais importante de televisão, um bispo daquela Igreja tenta convencer seus adeptos sobre a idolatria dos católicos, chutando uma estátua de Nossa Senhora Aparecida. Com isso, pretende implicitamente denunciar a religiosidade de um Estado supostamente laico. Naquele dia, muitos brasileiros que jamais haviam prestado atenção à Igreja Universal do Reino de Deus, ficaram indignados com o sensacionalismo, ao mesmo tempo que muitos deles se sentiram secretamente orgulhosos dessa multinacional de cor brasileira. Em setenta países do mundo, a Igreja Universal prega uma mesma mensagem, bem sucedida: "Pare de sofrer". Acuada pelas comissões parlamentares que investigam as seitas na França (1995) e na Bélgica (1997) - segundo esta última, ela seria "palco de inúmeros escândalos se...