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Mostrando postagens de junho, 2013

A ORIGEM DO HOMEM - DISCOVERY

PROTESTO E COOPTAÇÃO

Manifestantes no cercadinho do Palácio Branco, num sábado ã tarde. Foto: Altino Machado...   Por Marilena Chauí, no blog da Boitempo Os manifestantes, simbolicamente, malgrado eles próprios e malgrado suas afirmações explícitas contra a política, realizaram um evento político: disseram não ao que aí está, contestando as ações dos Poderes Executivos municipais, estaduais e federal, assim como as do Poder Legislativo nos três níveis O que segue não são reflexões sobre todas as manifestações ocorridas no país, mas focalizam principalmente as ocorridas na cidade de São Paulo, embora algumas palavras de ordem e algumas atitudes tenham sido comuns às manifestações de outras cidades (a forma da convocação, a questão da tarifa do transporte coletivo como ponto de partida, a desconfiança com relação à institucionalidade política como ponto de chegada), bem como o tratamento dado a elas pelos meios de comunicação (condenação inicial e celebração final, com crimina...

APONTAMENTOS PARA O DIA SEGUINTE

A manifestação denominada Dia do Basta, que reuniu uma multidão em Rio Branco, no último sábado, é um ato histórico em si mesmo. Há muito tempo os espaços da cidade não eram preenchidos espontaneamente com tanta pluralidade, tanta diversidade de idéias. Reunir essa balbúrdia em um lugar só é possível quando há interesses mínimos em comum. Por outro lado, não é de hoje que comoções sociais de larga escala costumam tocar apenas tangencialmente as suas causas. Zygmunt Bauman, um dos teóricos da pós-modernidade, credita esse fenômeno à substituição das referências políticas tradicionais por grupos dispersos de pertencimento: rappers, punks, gays, feministas etc. Segundo Bauman, como cada um desses grupos tem agendas e interesses próprios, sua manifestação coletiva, nas raras vezes em que ocorre, não atua na esfera do rompimento da ordem. Atua em reivindicações específicas para cada grupo - portanto, atua na esfera da afirmação da ordem . A despeito de Bauman, ouso afirmar que ev...

V DE VINGANÇA - A REVISTA

Não é só mais um filme bonitinho V de Vingança (versão em português para V for Vendetta ) é uma série de romances gráficos escrita por Alan Moore e em grande parte desenhada por David Lloyd . Foi publicada originalmente entre 1982 e 1983 em preto e branco pela editora britânica Warrior, mas não chegou a ser finalizada. Em 1988, incentivados pela DC Comics, Allan Moore e David Lloyd retomaram a série e a concluíram com uma edição colorida. A série completa foi republicada nos EUA pelo selo Vertigo da DC e no Reino Unido pela Titan Books. No Brasil, foi publicada em 1989 em cinco edições em cores pela Editora Globo e mais tarde pela Via Lettera, em dois volumes em preto e branco; em 2006 teve uma edição especial pela Panini, em volume único, colorido e com material extra. Atendendo a pedidos, em 2012 a Panini relançou esta edição especial. Sinopse: A pós um aparente hecatombe nuclear, a Inglaterra mergulha no caos. Depois de algum tempo, a ordem volta a se estabelec...

DILUIR AS REIVINDICAÇÕES PARA NÃO PAGAR A CONTA

Por Yuri Franco, no Viomundo Nos últimos dias o Brasil tem sido sacudido por manifestações em diversas cidades. Como centelha inicial está a questão do transporte público, causadas pelo aumento da tarifa do transporte coletivo em várias cidades. Esta é uma reivindicação justíssima, e inclusive a revogação dos aumentos é apenas uma pauta imediata. Há uma discussão antiga e profunda sobre a questão do financiamento do transporte coletivo, que hoje serve basicamente como ferramenta de lucro de alguns empresários. Ao irem às ruas, surgiram também críticas decorrentes da violência policial. A Polícia Militar, como a conhecemos hoje, foi construída ao longo do tempo para ser exatamente isso: instrumento de controle da população e de defesa da propriedade. Isso também não é exclusividade do Brasil. Recentemente, ao ser questionado sobre a repressão violenta da polícia aos manifestantes na Turquia, o primeiro ministro turco respondeu que sua polícia utilizava os mes...

OS LIMITES DA LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO

Cartaz utilizado em um dos protestos na capital paulista: vai que cola... Por José Francisco Neto, no Brasil de Fato Durante o quinto e o sexto protesto contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo, foi notável a heterogeneidade de reivindicações. A pauta central do Movimento Passe Livre (MPL), que pede a redução das tarifas, parece estar perdendo a centralidade. Surgem em meio às manifestações cartazes com dizeres como: “Contra a corrupção” e “Impeachment à Dilma”. Na segunda-feira (17) e na terça-feira (18), a reportagem do Brasil de Fato constatou uma sensível diferença nos atos comparando-os com a semana anterior. Os gritos não eram os mesmos puxados pelos movimentos sociais. As bandeiras dos partidos não foram mais estiadas. Muitas, inclusive, foram impedidas de serem levantadas por um grupo de pessoas que pediam “Sem partido!”, com bandeiras do Brasil nas mãos e cantando o hino nacional. A reportagem passava ao lado da prefeitura d...

HISTÓRIA

Tomar banho de rio Comer ingá e abiu Caçar paca, anta, tatu E Não ter história. Criar galinha no terreiro Fazer chá de mulateiro Pular a fogueira de São João E Não ter história. Jogar bola na chuva na rua de chão Pegar minhoca no quintal com a mão Pescar de caniço cará, mandim, trairão. E Não ter história. Sair do alagado Virar soldado Ganhar um ordenado Ser aceito na história. Obedecer o chefe, o pastor, o governo. Sorrir amarelo na coluna social. Protestar pela ordem, a pátria, a moral. E Escrever a história.

COMO ENQUADRAR UM PROTESTO

Fazendo um debate na televisão. Foi o que percebi ontem, ao assistir o Gazeta Entrevista apresentado pelo robótico Allan Rick, da TV Gazeta. O apresentador, os debatedores e os próprios organizadores do evento foram unânimes: é preciso evitar exageros. Fugir da violência. Não quebrar nada. Manter a ordem. MANTER A ORDEM! Não sei quanto a vocês, mas esta expressão ecoa até agora, como um mantra, na minha cachola. Manter a ordem, pois, "o povo acreano é educado, pacífico e ordeiro", segundo o apresentador. Carajo , o problema não é justamente a ordem? Os fiscais ambientais que multaram o Jorge Neto , do movimento hip-hop , aplicaram a lei - a ordem. A liberdade condicional dos secretários de Estado, presos pela Polícia Federal durante a Operação G7, é prevista legalmente, já que todos têm domicílio fixo e não têm antecedentes criminais. Tudo em ordem. Os problemas com liberdade de expressão, que impedem o livre exercício de vozes contraditórias na imprensa ac...

SOBRE O DIA DO BASTA

Alunos da Universidade Federal do Acre (UFAC) realizam uma série de manifestações em Rio Branco. Aproveitam o calor dos protestos em várias capitais brasileiras, todas violentamente reprimidas pelas forças policiais. Já houve protestos em frente à sede do governo do Estado e no Terminal Urbano. No sábado haverá outro, marcado para as 16h30. Os eventos miram claramente o governo do Estado, envolvido em uma crise sem precedentes depois que vários membros do primeiro escalão foram presos, acusados de cometer crimes  de formação de cartel, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, fraude em licitação e desvio de verbas públicas. Anotem isso: depois do evento, políticos de várias matizes vão prestar solidariedade aos meninos para dizer que repudiam a "vergonhosa situação do Acre na mídia nacional", afirmarão que amam o Acre, que se colocam à disposição para diálogos com as lideranças etc. Alguns podem, inclusive, tentar posar ao lado de um ou doi...

Como os EUA conquistaram o Brasil usando a mídia

Por Leandro Severo, na Carta Maior , reproduzido no Viomundo Em 1957, uma CPI da Câmara dos Deputados, comprovou que “O Estado de São Paulo”, “O Globo” e “Correio da Manhã” foram remunerados pela publicidade estrangeira para moverem campanhas contra a nacionalização do petróleo. Em momentos cruciais para o país se inclinaram para o golpismo e a traição aos interesses nacionais: contra Getúlio, a Petrobrás, JK, contra Jango, apoiando a ditadura, Collor, FHC e suas privatizações, atacando Lula. Em 1941, enquanto milhões de homens e mulheres derramavam seu sangue pela liberdade nos campos da Europa e da União Soviética, a elite dos círculos financeiros dos Estados Unidos já traçava seus planos para o pós-guerra. Como afirmou Nelson Rockefeller, filho do magnata do petróleo John D. Rockefeller, em memorando que apresentava sua visão ao presidente Roosevelt: “Independente do resultado da guerra, com uma vitória alemã ou aliada, os Estados Unidos devem proteger sua posição ...

PANIS ET CIRCENSES

POR QUE ME UFANO DO MEU ESTADO

CELSO, Afonso. Por que me ufano do meu país . Rio de Janeiro: Laemert & C. Livreiros - Editores, 1908. É hoje verdade geralmente aceita que, para a formação do povo brasileiro, concorreram três elementos: o selvagem americano, o negro africano e o português. Do cruzamento das três raças resultou o mestiço que constitui mais de metade da nossa população. Qualquer daqueles elementos, bem como o resultante deles, possui qualidades de que nos devemos ensoberbecer. Nenhum deles fez mal a humanidade ou a deprecia. E se não, vejamos. Na carta em que Pero Vaz de Caminha comunica a El-Rei D. Manoel o descobrimento de Cabral, narra ele o primeiro encontro entre a gente civilizada e os aborígenes. Conforme já acentuou uma voz eloqüente em ocasião solene (a abertura do Congresso Jurídico Americano, de 1900) as impressões oriundas desse primeiro encontro foram todas favoráveis aos índios. Mostraram-se bondosos, serviçais, confiantes, sociáveis, no seu amistoso acolhimento...

ENREDO ENFADONHO

1982. Nabor Junior (PMDB) vencia as eleições em um frêmito popular por mudança, ordem, progresso. A democracia vencera a ditadura, os homens maus ficaram no passado. A ordem republicana exigia repelir o partido que representou o regime de exceção, o PDS, e nessa nobilíssima causa uniram-se jornalistas, movimentos sociais, partidos. A opinião pública. Os homens de bem. Viva a democracia. Viva. Os jornais se mancomunam. Intelectuais, de esquina ou de gabinete, são uníssonos. Estamos no rumo certo. 1990. O PMDB, tão inescrupulosamente corrupto quanto qualquer general de óculos escuros da idade média brazuca, é apeado do poder. Lacaios mudam de lado, gritos indignados por renovação lotam as páginas dos jornais. Intelectuais intelectualizam. Notícias alardeiam "caos social", a "onda de violência" oriunda, supostamente, "da fraqueza das instituições". Contra isso, precisamos nos desenvolver, nos civilizar. Onde estão os homens bons? E agora, quem poderá nos...