Pular para o conteúdo principal

DESENVOLVIMENTO, IIRSA E ANTI-INDIGENISMO

Três homicídios, dois suicídios e duas tentativas de suicídio, R$ 1,3 milhão para investimentos nas aldeias retidos pelo governo do Estado e pela prefeitura de Rio Branco, denúncias de escambo de álcool por animais silvestres, falta de escolas em várias aldeias, denúncias de desvios de verba e prisão do superintendente da Fundação Nacional do Índio (Funai) pela Polícia Federal. Este é o saldo da "sustentabilidade" na condução das políticas indígenas no Acre, em 2010.

Os números são do relatório "Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil", lançado na última quinta (30) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que fez uma radiografia do problema no país.


A violência no Acre é branda se comparada com o contexto explosivo de Estados como Pará, Rondônia, Amapá e outros. Mas as grandes obras da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA) que prometem tirar o Acre "do atraso", da "economia do contracheque" e similares já estão a pleno vapor. Com ela, mais violência e desrespeito aos direitos dos primeiros habitantes do continente.

Da imprensa local, somente o Blog do Lindomar Padilha - que é conselheiro do Cimi no Acre - registrou o lançamento do relatório. O silêncio obsequioso da mídia amazônica contrasta com as publicações alarmadas de outras regiões e até fora do país.

O Brasil de Fato, por exemplo, destacou em matéria de Aline Scarso o aumento do número de mortes de crianças com menos de cinco anos. Algo totalmente contrário às Metas do Milênio da ONU e que fere vários acordos e tratados mundiais.

Segundo o jornal, "foram registradas 92 mortes no ano passado, contra 15 em 2009, o que representa um crescimento de 513%. Das 92 crianças mortas, 60 eram do povo Xavante, localizado no Mato Grosso. As mortes foram causadas por doenças facilmente curáveis como a desnutrição, doenças infecciosas e respiratórias, apesar da situação de descaso à saúde desse povo já ter sido denunciada em relatório anterior."

Veja a matéria completa clicando aqui.

Em pouco tempo, sob patrocínio do Estado-democrático-de-direito, a pretexto de desenvolver e levar qualidade de vida, a transformação de índios em força bruta para as redes varejistas do mercado estará completa tanto quanto hoje, entre os demais segmentos étnicos. Como entre os filhos dos seringueiros, quem resistir, quem não se integrar, vai virar marginal. E vai aparecer no Gazeta Alerta, no Boa Tarde Rio Branco etc.

Quem for obediente, estudar e conseguir um emprego deve também tomar algum cuidado. Mesmo com desvalorizações salariais, mesmo com a enorme distância entre capital e trabalho, é preciso não entrar em greves redundantes - para não prejudicar a "sociedade", claro.

Sabe-se que o ovo da serpente se nutre da hipocrisia. Da elevação de intere$$es individuai$ à categoria de valores da sociedade.

Mas... que sociedade?

Para baixar o relatório completo (em pdf) clique aqui.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OS DEMÔNIOS DESCEM DO NORTE

Os movimentos autônomos de cunho religioso, notadamente os de cunho pentecostal e neopentecostal surgidos nos EUA desde meados do século XIX até a atualidade, são subprodutos de um capitalismo que necessitava de uma base ideológica para se sustentar em seus desatinos de exploração e criação de subsistemas para alimentar os mecanismos de dominação ideológica e manutenção de poderes da matriz do grande capital - os Estados Unidos. Na década de 70 praticamente todos os paises da América Latina estavam sob o domínio de sanguinárias ditaduras militares, cuja ideologia de cunho fascista era a resposta política à ameaça da Revolução Cubana que pretendia se expandir para outros países do subcontinente. Era o tempo da Teologia da Libertação, que, com seu viés ideológico de matriz marxista, contribuiu de forma efetiva para a organização dos trabalhadores e dos camponeses em sindicatos e movimentos agrários que restaram depois na criação do PT e do Movimento dos Sem-Terra (MST). A ação dess...

CORTADOR DE CANA APRESENTA SINTOMAS DE EXAUSTÃO E OUTRAS DOENÇAS

Por dia, trabalhador flexiona a coluna 3.994 vezes e faz o movimento para cortar outras 3.792, em pé ou curvado. Ministério Público do Trabalho de Campinas suspeita de morte causada pelo trabalho no canavial. Estudo brasileiro apresentado durante o 30º Congresso Mundial de Medicina do Esporte observou que um cortador de cana, ao longo das 8h de sua jornada de trabalho, flexiona a coluna 3.994 vezes e faz o movimento de corte da cana outras 3.792. Além disso, na maior parte do tempo, o trabalhador permanece em pé (45%) ou curvado (43%). “Observou-se que o cortador de cana de açúcar apresenta sintomas de exaustão e outras enfermidades causadas pela dificuldade de execução do seu trabalho”, destaca o pôster da pesquisa conduzida por Erivelton Fontana de Laat, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Irati, Paraná), e Rodolfo Andrade de Gouveia Vilela, da Universidade Metodista de Piracicaba (São Paulo). De acordo com o texto, desde 2004, o Ministério Público do Trabalho da ci...

A CONSCIÊNCIA E O OLHAR

Indagado por uma pesquisadora sobre o que gostaria de ver na televisão, um jovem engraxate da favela da Rocinha (Rio) responde: "eu". Isto é logo interpretado como uma reivindicação de espaço por parte de "meninos, como ele, na faixa dos 10 aos 18 anos, para os quais não existe nada em termos de teatro, lazer e cinema". A interpretação encaminha claramente a resposta do entrevistado na direção dos interesses de programação da instituição televisiva a que se vincula a pesquisadora. Seria a manifestação do desejo de um telespectador insatisfeito com a oferta habitual de conteúdos da televisão. O atendimento à demanda ratificaria as linhas gerais do juízo de função psicossocial que a organização televisiva costuma fazer sobre si mesma. Entretanto, para melhor entender a natureza do fenômeno da televisão, começaremos tomando ao pé da letra a resposta do pequeno engraxate: ele desejaria ver a si mesmo enquanto indivíduo concreto - não como índice de uma abstrata méd...