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JUNTOS OU SOZINHOS?

Por Golby Pullig, no Bloco de Notas

Tempos difíceis. Tempos de solidão, de desamor, de abandonos, perversidades, intolerância, discriminação, pré-julgamentos, isolamentos voluntários, doenças psicossomáticas, perdas, dor, necessidade de ferir, de se proteger, fraudes e corrupção. Tempo de muita carência afetiva, de exageros, de autopunições, tempo de desespero. Não é pessimismo. É o resumo das principais notícias que estampam jornais e sites de informação do país, do mundo; é o lamento da vizinha, dos amigos, é o que se passa por dentro de cada um de nós mesmo que não tenhamos tempo de conferir. Vamos adiando.

Impossível ficar indiferente, tanto à dor alheia quanto à nossa e mesmo assim seguimos em direção às nossas festas sem sentido, ao nosso dia a dia ligados “no automático” sempre esperando que em algum momento, em qualquer lugar, o impossível, o milagre aconteça. Caminhar junto a uma ou várias pessoas faz diferença. É tão elementar! O peso da nossa própria vida fica mais leve quando dividido, mas quem tem condições de reconhecer quando a carga está sendo compartilhada?

As necessidades dos indivíduos são tão particulares e ao mesmo tempo tão gerais... Amar e ser amado, receber um abraço sincero, respeito, entendimento, ser especial pro outro, ter conforto, sossego, liberdade e chances de realizar o que se deseja. Não falo de ninguém especificamente, nem de mim, apesar da certeza de que falo de muita gente que conheço e de quem não conheço. No fim de tudo queremos o básico, o simples, o descomplicado, não estarmos sós ou pelo menos não nos sentir sós.

Esse sentimento de questionar a solidão e a qualidade das relações se deu porque me dei conta da passagem do tempo ao receber email de uma amiga desejando um “feliz segunda metade do ano”. As frases carregadas de simplicidade comovente me fizeram refletir sobre o quanto perdemos sendo intransigentes com nossas próprias vontades e vocações. Deixamos pra resolver amanhã, mês que vem, ano que vem, um outro dia, as pendências que achamos que podemos adiar. Achamos que podemos.

A verdade é que isso nos retorna mais dia, menos dia. Não podemos adiar o outro, aquele que espera por atenção e carinho, não podemos adiar a vontade de recomeçar uma nova vida, de ser feliz, de acreditar que um novo caminho pode ser percorrido ou que o mesmo caminho possa trazer novidades. Essa resistência traz gradativamente tudo o que citei lá no primeiro parágrafo e que vemos estampar nas manchetes dos jornais. É minha gente, o tempo está passando e acreditar nele nos torna mais urgentes pra nós mesmos e pras pessoas que amamos e que acabamos por ferir na nossa pressa de chegar a lugar algum.

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