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SOCIALISMO E LIBERDADE

O grande recado das urnas nessas eleições não foi a eleição de Raimundo Angelim. O nosso prefeito voltou ao poder pela vontade soberana de 27,83% dos eleitores aptos para o voto.

O grande recado das urnas nessas eleições é o desgaste do fazer político tradicional, que o PT não apenas assimilou, mas utiliza até melhor que os velhos caciques da ultra-direita acreana.

O acreano está cansado da política programática, das promessas. Está cansado de não participar de nada, de não ter poder sobre a sua própria vida, sua rua, sua escola, sua comunidade. Está cansado de ouvir Jorge Viana, Angelim, Binho Marques, Marina e companhia limitada falarem na TV como é bom administrar os espaços e as vidas dos trabalhadores.

O povo está cansado de votar no PT pelo critério do "menos pior" (discurso imbecil reproduzido de peito aberto pelos caciques da Frente Popular do Acre). É evidente que ninguém minimamente esclarecido quer o retorno de Flaviano Melo, Narciso Mendes e companhia limitada aos espaços que dão acesso aos cofres do povo, mas é lógico para qualquer trabalhador que qualquer administração representativa sempre será, no mínimo, usurpadora.

Na Bolívia, na Venezuela, no Equador, no Paraguai e até nos Estados Unidos o povo foi às ruas para exigir não ser mais tratado como boi, como gado. Eles exigem a submissão da economia à política, do capital ao social, da administração à deliberação soberana (de fato, e não apenas de direito) do povo.

No Acre o PSOL foi o único partido a defender algo assim. A idéia do PSOL é apresentar um conteúdo novo para o fazer político. Nas últimas eleições o objetivo não era exatamente eleger um prefeito para Rio Branco, mas eleger o povo para a política. A espinha dorsal dessa proposta é um novo modelo de gestão que pode ser definido basicamente como uma descentralização do poder, isto é, a deliberação política a partir de conselhos comunitários.

Nesse sentido a prefeitura e a Câmara de Vereadores se tornariam cada vez mais poderes secundários, submetidos à deliberação soberana das assembléias de trabalhadores.

Minha primeira experiência com coordenação de campanha política aconteceu em 2008. Para os que não sabem, trabalhei ao lado de Antonio Rocha, do PSOL. Um campanha livre, sem patrocínios e sem falsos messianismos. Para se ter uma idéia, ninguém na pequena equipe era remunerado. Todos ou eram amigos, correligionários ou familiares.

Infelizmente falta ao PSOL o trabalho de base, a organização e a confiança que os trabalhadores um dia depositaram no partido que hoje ocupa o poder. Reiniciar esse diálogo será duro, difícil, devido ao enorme aparelhamento que existe hoje nos sindicatos e associações de trabalhadores rurais.

As vozes dissonantes, entretanto, serão chamadas em breve a abandonar esse cabresto e a construir uma nova sociedade, de deliberações horizontais e respeito mútuo.

Uma sociedade socialista e livre.

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