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Mostrando postagens de 2011

ENIGMA - SHADOWS IN SILENCE

ENNIO MORRICONE - THE MISSION

GEORGE MICHAEL - ONE MORE TRY

RETURN

VANGELIS - ANTARCTICA

EARL GRANT - THE END

RESCALDO DE UM ATENTADO DEBILÓIDE

Por Celso Lungaretti , no Náufrago da Utopia Celso Lungaretti A anulação do diferente é a mensagem que os meios propagam sem parar, tangendo as pessoas à defesa obsessiva de um status quo que, ele sim, é a verdadeira ameaça à paz, à felicidade e à própria sobrevivência da espécie humana; e imunizando-as contra o antídoto oferecido pelos que, via transformação da sociedade, as tentam salvar.

JUNTOS OU SOZINHOS?

Por Golby Pullig, no Bloco de Notas Tempos difíceis. Tempos de solidão, de desamor, de abandonos, perversidades, intolerância, discriminação, pré-julgamentos, isolamentos voluntários, doenças psicossomáticas, perdas, dor, necessidade de ferir, de se proteger, fraudes e corrupção. Tempo de muita carência afetiva, de exageros, de autopunições, tempo de desespero. Não é pessimismo. É o resumo das principais notícias que estampam jornais e sites de informação do país, do mundo; é o lamento da vizinha, dos amigos, é o que se passa por dentro de cada um de nós mesmo que não tenhamos tempo de conferir. Vamos adiando. Impossível ficar indiferente, tanto à dor alheia quanto à nossa e mesmo assim seguimos em direção às nossas festas sem sentido, ao nosso dia a dia ligados “no automático” sempre esperando que em algum momento, em qualquer lugar, o impossível, o milagre aconteça. Caminhar junto a uma ou várias pessoas faz diferença. É tão elementar! O peso da nossa própria vida fica mais le...

SUJEITO REVOLUCIONÁRIO NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO

Professor Sergio Lessa, da UFAL As principais divergências da esquerda - e dos setores mais intelectualizados da direita -, tanto na universidade quanto nos partidos políticos, giram em torno da validade das categorias marxianas para a análise do capitalismo atual. Há orientações para todos os gostos, que se traduzem numa miríade de programas, táticas, estratégias e alianças muito diferenciados, quando não antagônicos. Um desses debates diz respeito ao sujeito revolucionário no capitalismo contemporâneo. No século XIX, Marx o localizou no proletariado, nas massas de trabalhadores pauperizados das primeiras fábricas européias. Produtores da massa de riqueza da sociedade industrial nascente, eles tinham seus interesses contrariados na medida em que eram explorados por jornadas intensas de trabalho e seus salários mal pagavam as ferramentas da sua própria exploração. Mas esta análise vale para hoje? Com o capitalismo de bem-estar social, as legislações trabalhistas, as leis de dir...

MITO, VONTADE DE PODER E AS GARRAS PEGAJOSAS DA MEDIOCRIDADE UTOPISTA: UM ACERTO DE CONTAS

Clique para ler resenhas e comentários Escrevo esse texto movido pela leitura do intenso Nietzsche, o rebelde aristocrata , de Domenico Losurdo (Rio de Janeiro: Revan, 1.108 pp). Minha intenção é preservar todo um esquema de raciocínios anteriores à leitura para compará-lo com o que sei que virá ao conclui-la. Para tanto farei em outra ocasião novo artigo sobre o mesmo tema, devidamente contaminado pela nova perspectiva.

A TIRANIA DAS UTOPIAS MORAIS

Por Bruno Kazuhiro , no Perspectiva Política Dentre as constantes expectativas das massas humanas, as quais são expressas por meio de manifestações populares, desejos natalinos, discursos sentimentais ou modos insignificantes de auto-expressão, talvez a mais característica e onipresente seja a ‘Paz’ ou, melhor dizendo, aquilo que Kant chama de ‘Paz Perpétua’, uma espécie de Utopia vindoura, consequência natural da razão humana, na qual toda a Humanidade estaria unificada sob um mesmo sistema e a paz reinaria completa entre os homens. É fácil traçar a genealogia dessa expectativa. Se analisarmos friamente, veremos que ela não passa de uma secularização iluminista das expectativas messiânicas relacionadas ao ‘Reino de Deus’ na Terra, no qual todas as aspirações e promessas dos Evangelhos se veriam realizadas. Todo o mundo se veria unificado sob o ‘Despotismo Esclarecido’ de um Messias, o qual imporia um perpétuo estado de paz entre os homens, e poria fim a todos os sofrimentos huma...

ENTREVISTA A KARL MARX

Conduzida por Raymond Landor, publicada originalmente no jornal The World , de 18 de julho de 1871 e republicada no livro: ALTMAN, Fábio (org.). A arte da entrevista: uma antologia de 1823 aos nossos dias. São Paulo: Scritta, 1995, de onde foi extraída. Karl Marx: clique na foto para ler suas obras Karl Marx (1818-1883) iniciou sua carreira como editor de um jornal da cidade de Colônia, na Alemanha, em 1840. Quando a publicação foi fechada pelo governo por razões políticas, Marx transferiu-se para Paris. Ali, seu destino como jornalista não foi muito diferente - o diário em que ele trabalhava também foi cassado. O filósofo e cientista político mudou-se então para Londres, onde escreveria sua grande obra, O Capital, editada pela pri­meira vez em 1867. O correspondente do jornal The World em Londres, R. Landor, realizou a entrevista em um momento crucial da história européia - apenas dois meses depois de sua publicação, a Comuna de Paris, na qual Marx esteve envolvido seria viol...

NOVO TEXTO DE ISRAEL SOUZA E RESPOSTA

Dica pra quem quer se aprofundar (clique) Israel Souza (do debate - que eu pensava encerrado - sobre a relação entre Cristianismo e paz social) enviou novo texto, que publico, seguido da minha resposta. Como são 12 páginas com citações, notas de rodapé e formatação própria, tomei a liberdade de extrair só os argumentos - que são poucos - para dialogar com eles, de uma forma mais direta, sem bibliografias ou notas. O leitor mais exigente pode baixar (em pdf) a versão integral do texto do Israel clicando aqui .

"O SOCIALISMO É UMA DOUTRINA TRIUNFANTE"

Aos 93 anos, Antonio Candido explica a sua concepção de socialismo, fala sobre literatura e revela não se interessar por novas obras Por Joana Tavares , no Brasil de Fato Antonio Candido Crítico literário, professor, sociólogo, militante. Um adjetivo sozinho não consegue definir a importância de Antonio Candido para o Brasil. Considerado um dos principais intelectuais do país, ele mantém a postura socialista, a cordialidade, a elegância, o senso de humor, o otimismo. Antes de começar nossa entrevista, ele diz que viveu praticamente todo o conturbado século 20. E participou ativamente dele, escrevendo, debatendo, indo a manifestações, ajudando a dar lucidez, clareza e humanidade a toda uma geração de alunos, militantes sociais, leitores e escritores. Tão bom de prosa como de escrita, ele fala sobre seu método de análise literária, dos livros de que gosta, da sua infância, do começo da sua militância, da televisão, do MST, da sua crença profunda no socialismo co...

TIRANIA DO COLETIVO, DITADURA DA MAIORIA

Mafalda, personagem do cartunista Quino Muitas pessoas não se metem em movimentos sociais por temerem aquele efeito notável e nefasto de algumas dessas organizações: a tirania do coletivo. Mesmo vergadas sob o enorme peso de problemas que não podem ser resolvidos individualmente como achatamentos salariais, falta de serviços públicos em seus bairros, abusos cometidos por instituições e ou culturas subservientes aos "de cima", elas preferem preservar sua privacidade a manifestar publicamente. Militantes de causas civis conhecem bem a tirania coletivista. No calor das posições inevitavelmente divergentes na busca de algum objetivo comum, os argumentos normalmente são classificados em escalas ou graus de importância. A tirania começa quando em vez de avaliar as idéias em relação aos objetivos, avalia-se os sujeitos em relação ao grupo. Diante disso, pessoas passam a ser tratadas como ferramentas, úteis ou inúteis, segundo o julgamento da maioria.

NÃO PRECISAMOS DE HERÓIS

ANTONIO GRAMSCI: MAIS ACRE IMPOSSÍVEL

Publicado originalmente em 11.02.1917, no jornal operário La Città Futura Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes. A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.

JORNALISTAS EM GREVE... NA ALEMANHA

Mais de 170 paralisações foram realizadas desde abril pelos jornalistas alemães, que lutam por aumento salarial e manutenção da jornada semanal de 30 horas - que os patrões querem aumentar para 40. Segundo o site do Deutscher Journalisten-Verband (DJV) , o sindicato da categoria, os empresários também querem cortar os subsídios de Natal e de Férias, além de reduzir em 25% os salários dos jornalistas em início de carreira.

SECTARIZAÇÃO E IRRACIONALISMO

Por Vicente Zatti , em Autonomia e educação em Immanuel Kant e Paulo Freire (Porto Alegre, 2007) Toda relação de dominação, opressão, exploração é violenta, não importa se os meios usados para tal o são. Toda desumanização é uma forma de violência. Frente a tais situações as pessoas podem adotar atitudes diferentes: radicais ou sectárias. Paulo Freire afirma ser um grande mal para a sociedade brasileira o fato de o homem brasileiro, inclusive suas elites, em momentos desafiadores da história do país ter "descambado" para a sectarização.

AMEAÇADOS POR GRANDES PROJETOS

Por Rodrigo Domingues , no relatório Violência contra os povos indígenas no Brasil , do Cimi (clique para download) Na faixa que se estende por toda a região de fronteira do estado do Acre com o Peru está uma das maiores áreas de ocorrência de povos indígenas em situação de isolamento voluntário do mundo. Estes povos conseguiram manter seu modo de vida peculiar refugiando-se nas áreas que passaram ao largo dos ciclos econômicos da borracha, do caucho e da castanha.

DESENVOLVIMENTO, IIRSA E ANTI-INDIGENISMO

Três homicídios, dois suicídios e duas tentativas de suicídio, R$ 1,3 milhão para investimentos nas aldeias retidos pelo governo do Estado e pela prefeitura de Rio Branco, denúncias de escambo de álcool por animais silvestres, falta de escolas em várias aldeias, denúncias de desvios de verba e prisão do superintendente da Fundação Nacional do Índio (Funai) pela Polícia Federal. Este é o saldo da "sustentabilidade" na condução das políticas indígenas no Acre, em 2010. Os números são do relatório "Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil", lançado na última quinta (30) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que fez uma radiografia do problema no país.

IN HOC SIGNO VINCES

Recebi do meu amigo cientista político - e cristão - Israel Souza uma brilhante contestação aos principais argumentos de duas postagens recentes: "Por que o cristianismo não produz paz social" e "Ainda sobre cristianismo e paz social", publicadas respectivamente nos dias 24 e 25 de Junho passado. Apesar de ser um texto razoavelmente longo para os padrões do blog, vou publicá-lo na íntegra em vez de passar um atalho do Google Docs, como de costume. Faço isso porque sei que muitos leitores têm uma perspectiva similar à do Israel, da qual evidentemente não compartilho, mas tenho alguns razoáveis pontos em comum. Assim, guiado por costumeira curiosidade, farei em seguida comentários e adendos para estimular o debate. Como se diz na esgrima: - Israel, en garde !

HIGIENIZAÇÃO LITERÁRIA, MISÉRIA POLÍTICA

É consenso entre os estudiosos (historiadores, críticos literários etc) que a qualidade da literatura em cada época é subproduto do seu posicionamento em relação à forma política predominante. Por esse raciocínio, uma sociedade é mais criativa na medida contrária da subserviência de sua produção literária ao Estado, ao Poder. É algo bastante lógico, que serve para explicar desde a explosão criativa brasileira durante os Anos de Chumbo (1964-1982) até a insipidez da maioria das publicações atuais.

AINDA SOBRE CRISTIANISMO E PAZ SOCIAL

A propósito da postagem " Por que o Cristianismo não produz paz social " recebi o seguinte comentário do leitor Marcelino Freixo: Me permita fazer uma correção. Pelo Evangelho, a salvação do homem é um ato de graça, e não o resultado do amor ao próximo ou mesmo a Deus. O amor a Deus e ao próximo é o resultado de ter a certeza dessa salvação, conforme está escrito em Efésios 2:8-9: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie". Acho que isso invalida o argumento central do seu texto, que o cristianismo ensina que o amor é condição para se ter algo.

POR QUE O CRISTIANISMO NÃO PRODUZ PAZ SOCIAL

Apresentadores de programas policiais de TV compartilham vários "cacoetes". Um deles é relacionar os crescentes índices de criminalidade com a suposta descrença do povo. De fato, é bastante difundido o credo de que o aumento da violência estaria relacionado à "falta de Deus no coração". Surfando na onda de religiosidade e moralidade advinda desta revelação, desde os anos 60 as igrejas realizam enormes eventos públicos: "cruzadas", "festividades" e as recentes "marchas para Jesus". É um equívoco. Primeiro: o Cristianismo é não só a forma religiosa predominante na nossa sociedade há pelo menos 2.000 anos, como é a base histórica da moralidade mundana ocidental. A tal ponto que, ao longo da história, outras religiões como o Budismo, o Hinduísmo, a Umbanda etc, tiveram que "adaptar" suas narrativas como estratégia para arrebanhar seguidores.

RAZÃO TUTELADA E JORNALISMO NO ACRE

Já pensou o que aconteceria se o Movimento Abolicionista, que ocupou grande parte da crônica social brasileira na primeira metade do século XIX - e rendeu uma explosão de movimento criativo, das artes plásticas à literatura - se tivesse fiado na capacidade de diálogo do Estado para acabar com o horror da escravidão? Ou se o movimento Diretas Já, ao invés de invadir as ruas das principais metrópoles brasileiras, resolvesse aguardar o momento mais propício num clima de diálogo e cordialidade com a "difícil situação estrutural" do "Estado revolucionário" brasileiro do final dos anos 80? Já pensou o que haveria se, pela mesma época, o movimento de seringueiros do Acre resolvesse abrir mão dos empates em solidariedade à difícil missão dos governantes de reestruturar a máquina pública após 20 anos de ditadura?

A SOCIEDADE COMO ORGANISMO

Por István Meszáros , na introdução ao livro O poder da ideologia , Boitempo Editorial Desde que Menênio Agripa se dirigiu aos grevistas romanos, que ocupavam o Monte Sagrado no século VI a.C., vem sendo defendida em inúmeras ocasiões a concepção "orgânica" da ordem social. Segundo o tão reverenciado cônsul romano – que, em palavras características da Enciclopédia Britânica, era "conhecido como um homem de pontos de vista moderados" – cada camada social tem seu “lugar próprio” no grande organismo. As camadas inferiores devem obter sua satisfação a partir da "glória reflexa" e, independentemente de sua inferioridade, serem consideradas "igualmente importantes" para o funcionamento do organismo a que pertencem. Evidentemente, esse foi um poderoso exercício de ideologia. Segundo a lenda, os que protestavam se comoveram tanto com os "pontos de vista moderados" do cônsul que, imediatamente, abandonaram sua postura de desafio coletivo e r...

SE ESSA MARCHA FOSSE MINHA...

O que faltou na Marcha da Liberdade deste sábado em Rio Branco? Comida, água pro povo? Música engajada, acrobacias? Teatro de rua, movimento estudantil? Faltou combinarem com a única faixa populacional realmente interessada em mudanças sociais radicais. Onde estava o povo do Caladinho, do Taquari, do Wilson Pinheiro, os expulsos da Avenida Amadeu Barbosa, os jovens desempregados ou subassalariados da nossa "urbe"? Aos que não sabem, uma pista: para sair de suas casas e chegar ao centro da cidade cada um teria que desembolsar para o ônibus 4,8 reais - 2,4 de ida, 2,4 de volta - do seu minguado salário mínimo.

CONTROLE SOCIAL DA MÍDIA

Saiba mais aqui .

ESTADO E CAPITAL NA AMAZÔNIA

Recebi do meu amigo Israel Pereira uma análise brilhante sobre mais uma falsa dicotomia: o neo-desenvolvimentismo em sua faceta ruralista e o neo-desenvolvimentismo "ecologicamente correto" incorporado por Marina Silva, Natura, Fritjof Capra, Edgar Morin e CIA ltda. É algo que faz pensar, especialmente nesse período de vácuo de militância. Quando tudo parece perdido, nada melhor que ver o que corre no mundo real, do lado de fora da janela das nossas utopias. O artigo está aqui .

MANUAL DE REDAÇÃO

Ou, 10 regras da grande imprensa ao abordar "movimentos sociais" Osvaldo da Costa, em Adital Convenções básicas (quem não cumprir está sujeito à demissão): 1ª) Toda OCUPAÇÃO de terra deve ser chamada de INVASÃO Ao invés de usar o termo adotado pelos movimentos sociais, “ocupação” – manifestação de pressão para o cumprimento da Constituição pelo Estado e denúncia da existência de latifúndios- é mais eficiente para o objetivo de defesa do princípio da propriedade privada a utilização da palavra “invasão” – tomar para si pela força algo que não lhe pertence. Dessa maneira, implicitamente, estamos dizendo que discordamos dessa prática e a consideramos ilegal, e conseguimos gerar a sensação de pânico generalizado em todos os donos de propriedade, sejam elas rurais e produtivas, ou até mesmo propriedades urbanas. Observação: essa regra não é generalizável. Para os casos em que os Estados Unidos invadem países, destroem a infra-estrutura e matam a população, d...

É VOCÊ!

É você Só você Que na vida vai comigo agora Nós dois na floresta e no salão Nada mais Deita no meu peito e me devora Na vida só resta seguir Um risco, um passo, um gesto rio afora... É você Só você Que invadiu o centro do espelho Nós dois na biblioteca e no saguão Ninguém mais Deita no meu leito e se demora Na vida só resta seguir Um risco, um passo, um gesto rio afora Na vida só resta seguir Um ritmo, um pacto e o resto rio afora... Letra: Tribalistas

IDADE MÍDIA

Por Danielle Gonçalves , no DireitoNet De maneira simplista, tentarei mostrar com este trabalho uma das grandes formas de violência existente na sociedade e que freqüentemente se desenrolam sob os nossos olhos, porém, demasiado perto para serem percebidos: trata-se da violência da mídia. A mídia, com sua aparência indefesa, sob a alegação de prestar serviço cultural e informativo de maneira diversificada com o alcance de todas as classes e indivíduos vêm, hodiernamente, se manifestando como um super poder, causando grande influência, de certa maneira perversa, sobre a vida das pessoas. Podendo ser manifestado de diversas maneiras, o poder, segundo Bonavides [1], pode ser assim definido: “A um nível muito geral, poder é qualquer relação social regulada por uma troca desigual . É uma relação social porque a sua persistência reside na capacidade que ela tem de reproduzir desigualdade mais através da troca interna do que por determinação externa. As trocas podem abranger ...

ORDEM E PROGRESSO

Desde que o mundo é mundo existe um apelo para que as pessoas preservem a ordem da vida social. Que grupos não coloquem seus interesses acima do organismo coletivo. Que quando uns radicalizam, a maioria perde. Que é irresponsabilidade, por exemplo, colocar interesses de uma categoria grevista acima dos interesses da sociedade em geral. Que por lei - ah, a lei... - os interesses coletivos estão acima dos interesses particulares. Esta análise se sustenta? Como poderia, se todas as categorias grevistas fazem parte da sociedade? Por exemplo: numa greve da educação, as reivindicações dos professores não beneficiam só uma categoria, mas toda a sociedade. E não estou me referindo a estudos rigorosos sobre a quantidade de ciclos de "aquecimento da economia" que um reajuste do salário desse segmento costuma provocar na circulação de dinheiro, melhorando a arrecadação de impostos e permitindo a ampliação de obras públicas (público significa "para todos"). A minha questão ...

A MORALIZAÇÃO DA POLÍTICA

Vencedor de vários prêmios no Velho Mundo e pouco conhecido no Brasil, o documentário Undergångens arkitektur (Arquitetura da destruição) , de Peter Cohen, aborda uma das facetas pouco conhecidas do Nazismo: como um projeto de purificação do mundo político segundo critérios de moralidade e preservação dos valores da família, da ordem e do status quo , produziu a mais poderosa máquina de matar de todos os tempos. O documentário confirma no campo empírico uma velha tese conhecida por filósofos, sociólogos e cientistas políticos: a natureza conservadora da moralidade tende a bloquear a democracia e ameaça a própria base da política ao obstruir a liberdade como o campo de construção dos direitos humanos. A moral não pode servir de estandarte, de ideal para a política. Por mais poderosas que sejam as convicções individuais, a política deve ser o espaço de construção dos direitos para os cidadãos. Por sua vez, a palavra moral vem do latim mos ou moris e significa o costume . O plural...

THE VENUS PROJECT

Enquanto as cabeças de pensar, do Acre e de outros Estados amazônicos, deliram ao imaginar os benefícios da sua inclusão no capitalismo internacional quando finalmente o PT (ou outro partido qualquer) substituir as economias do contracheque público pelos cartéis bilionários que controlam governos e bolsas mundo afora, cientistas e filósofos desses exatos países - e do nosso - defendem outras formas de globalização. Entre elas, pasmem, a economia baseada em recursos naturais! Paradoxal? Sí, pero no mucho! Em 1972, enquanto na Terra Brazilis as nossas Forças Armadas torturavam e assassinavam adolescentes idealistas cheios de espinhas perigosos comunistas em nome da família, da ordem e do progresso, as universidades do chamado Primeiro Mundo ocupavam-se da divulgação de um documento intitulado Os Limites do Crescimento . Nele, o aviso: "Utilizando modelos matemáticos, chegou-se à conclusão de que o Planeta Terra não suportaria o crescimento populacional devido à pressão gerada so...

HEGEMONIA EM DECLÍNIO E SUBVERSIVISMO NA FPA

Por Israel Souza , via e-mail Título original: Hegemonia em declínio e subversivismo no Governo da FPA Do mesmo autor: Eleições 2010: um olhar a partir "dos de baixo" As urnas nos deram “um recadinho”, disse Jorge Viana recentemente, num comentário sobre o resultado das últimas eleições. A nosso ver, porém, as urnas mostraram algo mais sério: o declínio da hegemonia do Governo da Frente Popular do Acre (FPA). Como se sabe, a FPA chega ao poder estatal quando, por força do acirramento dos conflitos sociais, os representantes políticos das oligarquias já não podiam assegurar a manutenção de seus interesses. Os “conturbados” governos de Edmundo Pinto (1991-1992), Romildo Magalhães (1992-1994) e Orleir Camely (1995-1998) davam claros sinais disso. À testa das forças progressistas que foram gestadas durante os “anos de chumbo”, eleição após eleição, o PT foi crescendo e se consolidando como um grande partido. Bem articulado no âmbito da “sociedade civil” (grêmios est...

ESFINGE

O texto a seguir é o primeiro capítulo de um dos melhores livros de filosofia que já li, Dialética do concreto , do tcheco Karel Kosik. Obra primorosa, publicada em 1963 e reeditada desde então, parece que foi escrita ontem... A dialética trata da “coisa em si”. Mas a “coisa em si” não se manifesta imediatamente ao homem. Para chegar à sua compreensão, é necessário fazer não só um certo esforço, mas também um détour . Por este motivo o pensamento dialético distingue entre representação e conceito da coisa, com isto não pretendendo apenas distinguir duas formas e dois graus de conhecimento da realidade, mas especialmente e sobretudo duas qualidades da práxis humana. A atitude primordial e imediata do homem, em face da realidade, não é a de um abstrato sujeito cognoscente, de uma mente pensante que examina a realidade especulativamente, porém a de um ser que age objetiva e praticamente, de um indivíduo histórico que exerce sua atividade prática no trato com a natureza e com os out...