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LIVROS DE AUTO-AJUDA SÃO OS QUE MAIS VENDEM

Cultura individualista leva as pessoas a comprarem cada vez mais esse tipo de publicação


Dados do Sindicato Nacional dos Editores de Livro (SNEL) indicam que o segmento de auto-ajuda é o campeão de vendas no Brasil. O sucesso é tanto que este setor é o carro chefe na busca de mercados externos. Esse sucesso que é o movimento de auto-ajuda, principalmente nos livros, que são um fenômeno editorial tanto no Brasil quanto no resto do mundo, foi tema da dissertação de mestrado em psicologia social, defendida na Uerj, escrita por Jorge Guilherme Teixeira da Fonseca. O título é "O desafio de ser individuo no século XXI. Um estudo sobre a cultura de auto-ajuda".


O autor explica no texto que a auto-ajuda, desde que surgiu, foi uma proposta individualista para os problemas existenciais dos homens modernos. Não são recentes, mas foram intensificados na modernidade. “A auto-ajuda propõe uma resolução individual e individualizadora para qualquer problema”, diz. Os primeiros livros de auto-ajuda datam do século XIX, mas segundo Jorge, devido ao abandono a que o individuo do século XXI foi relegado, este tipo de publicação está intimamente ligado ao presente.


"Atualmente vive-se uma época epidêmica de crises econômicas, sociais, etc. Assim é uma época de busca de soluções", diz. Na busca de soluções, cresce a procura por livros de auto-ajuda. E o autor faz também uma associação com o crescimento do número de igrejas evangélicas: "ambas são advindas da destruição das antigas certezas do mundo e da busca para reconstrução dele, cada uma à sua maneira. No caso das igrejas, a reconstrução do embate mágico do bem contra o mal, seguido pela reconstrução da comunidade de fiéis. Dentro do movimento de auto-ajuda esta reconstrução será pautada no cultivo de si mesmo como suporte para uma nova civilização".


A procura da felicidade se tornou parte do ideário de muita gente influenciada pelos livros de auto-ajuda. Jorge afirma na dissertação que “os livros de auto-ajuda ensinam a atingir a felicidade como um objetivo autodirecionado: faça isso e você conseguirá sucesso, caso este seja o seu ideal de felicidade, siga está técnica e você conseguira conquistar a pessoa desejada, medite dessa forma e você encontrará a paz”.


O autor sugere, enfim, que esse movimento de auto-ajuda leva ao afastamento entre as pessoas, pois ao fazer uso dessa cultura, elas são levadas a cuidar de suas vidas e a deixar que os outros cuidem das suas próprias.


Fonte: Agência UERJ

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