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NASCE A "DENDEZÔNIA"

Quando eu digo que essa história de "desenvolvimento sustentável" é só uma nova roupagem para a velha tática empresarial de regular os estoques de matéria-prima, por um lado, e por outro obter o máximo de sub$ídio$ do poder público, muita gente me chama de xiita.

A prova está aí: depois de permitir que fazendeiros usem outras propriedades rurais como área de reserva legal (os atuais 80% de proteção ambiental exigidos pelo Código Florestal), o ministro do meio ambiente, Carlos Minc, decidiu estimular a plantação de dendê para fins de recomposição florestal (?) na Amazônia.

É o nascimento da "Dendezônia".

As medidas permitem que fazendeiros ampliem o total de área desmatada por propriedade, podendo chegar a 100%. Dentro da lei.

Basta, por exemplo, comprar a preço de banana uma área de terra lá nas cabeceiras do Iaco, para manter como reserva legal, e desmatar totalmente uma fazenda em Rio Branco.

Pode-se também desmatar 50% da outra - a do Iaco - e plantar dendê no lugar da floresta.

Pode-se até cultivar gado e criar dendê (ou seria o contrário?) nas duas!

Agora, do alto do meu "radicalismo" eu pergunto: quem ganha com isso? Os camponeses, povos indígenas, seringueiros e populações excluídas das periferias amazônicas, que perfazem a maior faixa populacional da região? Ou aqueles que têm dinheiro para plantar dendezais e comprar a preço de banana seringais para servirem como supostas "reservas legais"?

Anotem isso: essa medida vai ampliar consideravelmente o êxodo rural e a violência no campo, especialmente em regiões isoladas.


Clique aqui para ver o posicionamento do ministro. Se preferir a fonte oficial, do próprio Ministério do Meio Ambiente (MMA), então clique aqui.

A foto é do Portal Vermelho.

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